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Fim do auxílio emergencial deve segurar inflação, diz Guedes

Ministro não descarta novos cortes na taxa de importação de itens com alta acelerada

Brasília

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta quinta-feira (12) que o fim do auxílio emergencial de R$ 300 em dezembro deve contribuir para arrefecer a alta nos preços de alimentos e de materiais de construção.

"Na hora que o auxílio emergencial veio, com as pessoas em confinamento, elas gastaram com material de construção, melhoraram suas casas, e foram ao supermercado", afirmou em evento virtual promovido pela Abras (Associação Brasileira de Supermercados).

"O auxílio era de R$ 600, desceu para R$ 300, e depois aterrissa no Bolsa Família ou no Renda Brasil que estamos estudando. Quando houver essa aterrissagem, essas altas transitórias de preços setoriais devem se acalmar", afirmou.

Paulo Guedes (Economia) durante cerimônia no palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 4.nov.2020/Folhapress

O ministro disse que o auxílio emergencial voltará a ser pago em 2021 caso haja uma nova onda de coronavírus no país, como ele mesmo havia adiantado em evento na terça-feira (10) ao responder uma pergunta sobre o programa.

"Qual o plano para o auxílio emergencial? Redução gradual. Está marcado [o fim] para dezembro deste ano. Esse é o plano A", afirmou nesta quinta.

"Existe possibilidade de haver uma prorrogação do auxílio emergencial? Aí vamos para o outro extremo. Se houver uma segunda onda de pandemia, não é uma possibilidade, é uma certeza", complementou.

Ele disse que os estudos sobre o programa Renda Brasil continuam, mas que as discussões foram interrompidas pelas eleições. "Politicamente, o programa não foi considerado satisfatório pelo presidente. No meio da eleição, não era hora de ter essa discussão.”

Conforme mostrou a Folha na quarta-feira (11), a indecisão sobre o programa levou o governo a trabalhar com um início de 2021 sem um novo programa social. A alternativa é uma expansão limitada do Bolsa Família.

Antes que isso aconteça, afirmou Guedes, o governo tem agido para eliminar impostos de importação para frear a alta. Com isso, novos cortes de tributos podem acontecer.

"Agimos rápido no arroz e estamos examinando toda a pauta de alimentação para eliminar impostos de importação, porque estamos comprometidos com a abertura da economia", afirmou. "Os que tiverem subindo mais rápido que o razoável, vamos reduzindo a tarifa de importação", afirmou.

Neste ano, o governo já cortou a tributação para a entrada de diferentes itens com objetivo de conter a alta dos preços. Neste mês, decidiu zerar o imposto de importação de soja e milho. Em setembro, decidiu zerar a alíquota de importação para o arroz.

Para Guedes, os impostos devem continuar em baixa para contribuir com a abertura comercial do país. "Nós vamos continuar com os impostos reduzidos porque nosso objetivo é reduzir tarifas", disse.

Segundo ele, a maior entrada dos produtos estrangeiros deve contribuir com o arrefecimento da inflação dos alimentos na economia doméstica. O ministro afirmou que a ideia não é derrubar o produtor local, mas impedir o que chamou de abusos.

"A competição de fora trava esse aumento. Mas não queremos derrubar a produção local. Ela vai reagir a esse aumento de preços aumentando a safra e naturalmente derrubando o preço lá na frente. Vamos usar o expediente contra abusos, com essa redução instantânea das tarifas", afirmou.

Guedes sinalizou os novos cortes não somente em alimentos, mas também em outros setores ao fazer referência à "toda a pauta de produtos importados". Conforme já mostrou a Folha, o governo acompanha de perto a situação de itens que mostram alta acelerada como materiais de construção.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou em outubro que a pressão de alimentos e passagens aéreas fez a inflação de outubro ficar em 0,86%, ante 0,64% no mês anterior. Foi o maior índice para o mês desde 2002.

Em 12 meses, o indicador chegou a 3,92%, próxima ao centro da meta a ser perseguida pelo Banco Central para 2020, de 4%.

No ano, diz o IBGE, o preço do tomate acumula alta de 50%. O arroz já subiu 59,48% e o óleo de soja, 77,69%.

Durante o evento, Guedes voltou a citar o imposto sobre transações financeiras como uma forma de compensar a desoneração da folha de pagamentos de empresas. Ele afirmou que a equipe econômica não quer criar impostos, mas sim fazer uma substituição.

O ministro tem dado declarações contraditórias sobre o tributo. Duas semanas atrás, por exemplo, havia dito que a ideia estava morta. Mas o imposto continua nos planos e Guedes, segundo fontes, tem tentado "despistar" o assunto durante as eleições municipais.

Ele também reiterou que planeja tributar dividendos, proposta prometida há meses. Até hoje o governo não entregou o plano ao Congresso.

O ministro voltou a dizer que a economia brasileira está retomando em "V", o que significaria uma queda acentuada seguida de um rápido crescimento.

Segundo ele, essa recuperação está sendo observada em números da arrecadação de impostos, de notas fiscais eletrônicas, do consumo de energia e do consumo de diesel.

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