Italiana Enel prevê investir R$ 32 bilhões no Brasil em três anos

Italiana dona da Enel SP diz que foco é geração de energia; novos aportes em distribuição dependem de solução sobre perdas com pandemia

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Rio de Janeiro

Controladora da Enel Distribuição São Paulo, ex-Eletropaulo, a italiana Enel prevê investimentos no Brasil de 5 bilhões de euros (cerca de R$ 32 bilhões pelo câmbio atual) pelos próximos três anos, o equivalente a 12,5% de seu plano global de investimentos no período.

O presidente da companhia, Francesco Starace, afirmou nesta terça (24) que o principal foco no período são projetos de geração de energia, já que a empresa consolidou forte posição no mercado brasileiro de distribuição com aquisições nos últimos anos.

Além da Enel SP, adquirida em 2018, a empresa também controla a distribuição de energia em Goiás, no Ceará e em parte do estado do Rio de Janeiro. As concessões fazem da empresa a maior concessionária do segmento no país.

Em entrevista virtual para apresentar o plano de investimentos para os próximos três anos, Starace disse que a Enel busca equilibrar sua posição em geração e distribuição nos países onde atua.

No Brasil, nesse momento, diz, a posição em distribuição é mais forte, o que leva a uma prioridade em investimentos em geração. O executivo não descartou, porém, participação nos leilões de privatização das distribuidoras CEB, do Distrito Federal, e da CEEE-D, do Rio Grande do Sul.

"Estamos olhando distribuidoras adicionais sempre que fizer sentido para nós. Nem todos os leilões são interessantes, seja pela posição no país ou por causa, talvez, de expectativas irrealistas pelo lado dos vendedores. Mas certamente estaremos olhando tudo que estiver disponível", afirmou.

A empresa condicionou o volume de investimentos em distribuição às negociações com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) sobre o reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos devido aos impactos da pandemia.

"Investimentos em distribuição estão baseados na discussão com o regulador relativa à recuperação das medidas da Covid-19", disse o diretor financeira da empresa, Alberto De Paoli. O setor defende que os contratos devem considerar novas expectativas de consumo após a crise.

Durante a pandemia, a Enel São Paulo foi alvo de protestos por aumentos na conta de luz considerados injustificados pelos clientes. Em agosto, assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Procon-SP parcelando os débitos de clientes que fizeram queixas formais.

Nos primeiros nove meses de 2020, a distribuidora registrou lucro líquido de R$ 256 milhões, queda de 53,1% em relação a igual período do ano passado, diante de impactos da pandemia.

O plano de investimentos da Enel para os próximos três anos anos prevê investimentos totais de 40 bilhões de euros (cerca de R$ 255 bilhões), com foco em geração de energias renováveis e digitalização das redes de distribuição.

Em um prazo de dez anos, a empresa prevê 190 bilhões de euros (cerca de R$ 1,2 trilhão), dos quais 40 bilhões de euros (R$ 255 bilhões) seriam aportados por sócios em segmentos como renováveis, mobilidade elétrica e fibra ótica, entre outros.

Também no plano de dez anos, o foco principal são renováveis e melhoria das redes de distribuição. A meta é chegar a 2030 com 120 GW (gigawatts) em capacidade instalada, crescimento de 2,7 vezes em relação ao parque atual da companhia.

Em relação à eletrificação do transporte, as metas são expandir em 4,5 vezes o número de estações de carregamentos de veículos e em seis vezes a frota de ônibus elétricos até 2023.

Na apresentação, Starace disse que, com o plano de investimentos, a empresa pretende ser reconhecida como uma "supermajor", termo usado para classificar as maiores companhias de petróleo com ações em bolsa de valores, como a americana ExxonMobil.

Mais tarde, na entrevista, evitou a comparação com as petroleiras, mas afirmou que vê papel relevante da companhia no processo de eletrificação da frota global de veículos. "Estamos a caminho de eletrificação e nós somos grandes em eletricidade."

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