Descrição de chapéu Obituário Paulo Francini (1941 - 2021)

Mortes: Fundador do Iedi, defendeu a indústria e a democracia

Paulo Francini foi conselheiro da Fiesp e não gostava de usar terno e gravata

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São Paulo

Apesar de estar sempre ao lado de grandes empresários, o industrial Paulo Francini raramente era visto de terno e gravata. Seu figurino mais frequente, mesmo ao participar de grandes reuniões, era camisa com os botões abertos até o peito, calça jeans e sapatos sem meias.

"Causava até um pouco de desconforto entre os grandes empresários da época. Ele sempre foi muito elegante e sedutor. Destoava das pessoas mais caretas, dos grandes empresários", diz o jornalista e escritor Ricardo Viveiros, amigo de Francini há muitos anos.

Francini era amante dos livros, ligado às artes e à cultura e jamais dispensava um bom vinho, inclusive na hora do almoço.

O empresário Paulo Francini durante a Flip de 2014
O empresário Paulo Francini durante a Flip de 2014 - Raquel Cunha/Folhapress

Ele foi diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) de 2004 a 2018, cargo que já havia ocupado na época em que o presidente da entidade era Luís Eulálio, na década de 1980.

O empresário foi um dos fundadores do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial). Aos 79 anos, teve complicações após contrair Covid-19 e morreu em São Paulo.

“Francini era conhecido por sua inteligência, carisma e bom humor. Fará muita falta”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Ele também teve um papel fundamental na defesa da indústria. Durante a década de 1970, no governo do general Ernesto Geisel, foi interlocutor do setor e seguiu assim após a redemocratização, desde o governo de José Sarney até a administração Dilma Rousseff.

Francini também foi um dos líderes do chamado “Manifesto dos Oito”, movimento de empresários a favor da redemocratização em 1978, que contou com nomes como Antônio Ermírio de Moraes, José Mindlin, Jorge Gerdau, Paulo Villares, Laerte Setubal Filho e Severo Gomes.

"Francini teve um papel importante no processo de industrialização brasileira. Não só como empresário, mas também como uma pessoa que ajudou na formulação de ideias para competitividade da indústria brasileira", afirma José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico)

"Tinha uma vida cultural intensa. Frequentava a Flip [Festa Literária Internacional de Paraty] todos os anos.

Deixa a mulher, Elizabeth. E além dos dois filhos do primeiro casamento e os quatro netos, tinha dois enteados.

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