Grupo Educação Metodista vai pedir recuperação judicial

Instituição entrou com pedido na Justiça para poder elaborar plano e manter atividades

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São Paulo

Enfrentando uma série de dificuldades financeiras desde 2015, o centenário grupo Educação Metodista se prepara para pedir recuperação judicial.

A instituição informou que deu entrada, nesta sexta-feira (9), em um pedido de medida cautelar (preventiva) no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, com o objetivo de elaborar um plano de recuperação e manter suas atividades acadêmicas.

A cautelar é um mecanismo legal que garante proteção judicial para que a instituição em dificuldades financeiras possa se reorganizar e apresentar um plano de recuperação.

A instituição afirma que não há planos de fechar unidades, que as perspectivas de recuperação são boas e que o processo vai garantir que as atividades de ensino não sejam interrompidas por ações isoladas de alguns credores.

A Educação Metodista iniciou suas atividades no Brasil em 1881, com a fundação do Colégio Piracicabano. A escola mais antiga hoje é o Colégio Metodista União, que foi fundado em 1870 e posteriormente se integrou ao grupo de ensino.

Atualmente, possui 19 mil alunos e 3.000 funcionários, sendo 1.200 docentes, distribuídos em 11 colégios e 6 instituições de ensino superior em três estados (Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais).

A empresa possui uma dívida de R$ 500 milhões, sendo que 60% do valor se refere ao passivo trabalhista e o restante a bancos e fornecedores. No último ano, houve corte de 1.300 funcionários. Desde 2017, o número de alunos foi reduzido em 60%, com a consequente perda de receita.

A crise das instituições metodistas de educação teve início com a mudança nas regras do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e se acentuou com o cenário econômico de recessão dos últimos anos. A pandemia de Covid-19 agravou a situação, segundo a empresa.

“Estamos confiantes de que a recuperação judicial poderá restabelecer a Educação Metodista, preservando nossa comunidade acadêmica e assegurando um ensino de qualidade para todos os nossos alunos. Por meio deste processo, também esperamos garantir proteção judicial a todos os nossos credores”, afirma Aser Gonçalves Junior, diretor de operações estratégicas da Educação Metodista.

"Não está no nosso plano fechar unidades. A gente segue com as operações normais. Esse processo da RJ ajuda a fazer essa proteção e garantir para alunos, pais e professores que a operação segue seu curso normal."

O plano deve incluir a venda de ativos que não estejam ligados à operação educacional e foco nos negócios no RS, embora a estratégia da recuperação possa alavancar impulsionar também as atividades em São Paulo, que responde por uma parte importante da operação.

O advogado Luiz Roberto Ayoub, sócio do Galdino & Coelho e autor da ação cautelar afirma que uma decisão favorável da Justiça é importante para que seja possível suspender pedidos de penhora e outras ações que provocam uma sangria contra o patrimônio da instituição.

Disse também que recuperação judicial não é concordata, não tem a ver com falência e que as atividades da instituição continuam normalmente.

“O principal agora é cessar a sangria e, no prazo de até 30 dias, entrar com a recuperação judicial. Se você der o fôlego que a Metodista precisa, caso o juiz decida conceder a liminar agora, a chance de soerguer esse agente econômico é muito grande. Se não for possível ao reestruturador trabalhar com a tranquilidade que a recuperação dá, fica tudo mais difícil. Capacidade para se recuperar existe”, afirma.


Raio-X

Educação Metodista
Início das atividades no Brasil: 1881
Funcionários: 3.000, sendo 1.200 docentes
Alunos: 19 mil
Rede de ensino: 11 colégios e 6 instituições de ensino superior
Regiões em que atua: Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais

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