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Argentina suspende exportação de carne, e produtores declaram greve

País é o quarto maior exportador mundial de carne bovina

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Buenos Aires | AFP

O governo argentino anunciou na segunda-feira (17) que o país suspendeu as vendas de carne bovina ao exterior por 30 dias, enquanto define medidas de emergência para frear o aumento do preço no mercado interno. Em resposta à decisão, os produtores de carne argentinos anunciaram nesta terça-feira (18) uma interrupção da comercialização de seus produtos por uma semana.

O país é o quarto maior exportador mundial de carne bovina, com 819.000 toneladas em 2020, e de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos fica atrás apenas de Brasil, Austrália e Índia.

"Como consequência do aumento sustentado do preço da carne bovina no mercado interno, o governo decidiu adotar um conjunto de medidas para ordenar o funcionamento do setor, restringir práticas especulativas e evitar a sonegação fiscal no comércio exterior. Enquanto as medidas terminam de ser implementadas, as exportações de carne bovina serão limitadas durante 30 dias", afirmou a presidência na segunda.

A suspensão foi comunicada pelo presidente Alberto Fernández aos representantes do setor exportador de carne reunidos na associação ABC, durante um encontro na Casa Rosada (sede do governo).

O presidente da Argentina, Alberto Fernandez - Juan Mabromata - 23-mar.21/AFP

Em uma primeira reação, a Comissão de Enlace das Entidades Agropecuárias, que reúne as associações que representam produtores e empresários do setor, rejeitou de maneira categórica a medida adotada na segunda-feira à noite pelo governo.

"Vamos nos reunir de maneira imediata para exercer uma rejeição total a esta medida nefasta", afirmou Daniel Peregrina, presidente da Sociedade Rural Argentina, que reúne grandes produtores.

Em um comunicado, a associação anunciou "a interrupção da comercialização de todas as categorias de gado a partir de zero hora de quinta-feira 20 de maio até as 24 horas de sexta-feira 28 de maio".

Em 2020, as exportações argentinas de carne e couro bovinos alcançaram US$ 3,368 bilhões, uma queda de 16,5% na comparação com 2019. Os principais destinos foram China, Alemanha e Israel, segundo o instituto de estatísticas Indec.

Fernández já havia expressado preocupação com os aumentos dos preços no país, fundamentalmente dos alimentos.

"Estou muito preocupado com os aumentos dos preços, são inexplicáveis. Estou decidido a atacar este tema. Me preocupa muito, porque é inexplicável. Sinceramente, não há nenhuma razão, além do aumento do consumo, para explicar os aumentos que aconteceram em março e abril", declarou em uma entrevista no domingo (16) ao canal C5N.

O presidente afirmou que "celebra" o fato de o país exportar carne, mas lamentou que isto provoque o aumento do preço para os cidadãos do país.

Os argentinos consomem a média 49,2 quilos de carne bovina por ano, contra o pico de 69,3 quilos registrado em abril de 2009, segundo a Câmara de Indústria e Comércio de Carnes.

O país tem uma das inflações mais elevadas do mundo: em abril, o índice atingiu 4,1% e acumulou 17,6% nos primeiros quatro meses do ano, de acordo com o Indec.

O avanço da inflação reforça a impressão de que o governo terá muitas dificuldades para cumprir a meta inflacionária de 29% por ano calculada na Lei de Orçamento.

O custo de vida nos últimos 12 meses aumentou 46,3%, segundo o Indec, mas os preços dos diferentes cortes de carne bovina aumentaram 65,3% em abril na comparação com o mesmo mês em 2020, segundo o Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (Ipcva).

Para enfrentar os efeitos econômicos do longo confinamento de 2020, o governo aprovou um grande programa de ajudas, que implicou uma elevada emissão monetária.

As exportações agrícolas representam a maior fonte de divisas do país.

A Argentina enfrenta uma recessão pelo terceiro ano consecutivo, agravada em 2020 pela pandemia da covid-19, que provocou uma queda de 9,9% do PIB. A pobreza alcança 42% da população.

Fernández justificou nesta terça-feira a decisão.

"O tema da carne saiu de controle. O preço sobe mês a mês sem justificativa. Temos que colocar ordem", disse.

"Nós não podemos ver os preços aumentando sem nenhuma justificativa, ou seja, sobe o preço da carne e cai o consumo de carne", declarou o presidente à Rádio 10.

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