Líder afegão oferece conversas 'sem precondições' com Taleban

Grupo extremista viraria partido político legítimo e Constituição poderia ser emendada

Cabul | AFP e Reuters

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, propôs nesta quarta-feira (28) que o Taleban seja reconhecido como um partido político legítimo como parte de um processo político que poderia levar a conversas de paz que ponham fim a mais de 16 anos de guerra no país.

Ghani propôs um cessar-fogo e a libertação de prisioneiros como parte de uma série de opções, incluindo novas eleições envolvendo os militantes e uma revisão constitucional como parte de um pacto com o Taleban. 

O presidente afegão, Ashraf Ghani, e a primeira-dama, Rula Ghani, rezam em conferência em Cabul - Shah Marai/AFP

"Estamos fazendo essa oferta sem precondições de modo a que leve a um acordo de paz", afirmou Ghani na abertura de uma conferência com presença de autoridades de 25 países envolvidos no chamado Processo de Cabul, que tem por fim um processo de paz no país. "Esperamos que o Taleban faça contribuições a esse processo, cuja meta é trazer o Taleban, como uma organização, a conversas de paz." 

As declarações representam uma mudança significativa para Ghani, que no passado se referia ao Taleban como "terroristas" e "rebeldes". 

No âmbito das negociações, o Taleban seria reconhecido como um grupo legítimo, disse Ghani, com seu próprio escritório político para manejar as negociações em Cabul ou outra localidade acordada. 

Prisioneiros do grupo poderiam ser libertados e seus nomes, retirados de listas internacionais. Ex-combatentes e refugiados poderiam ser reintegrados à sociedade. 

 O governo se comprometeria a garantir a segurança dos membros do Taleban que aceitem a oferta, a "considerar" suas propostas, a levantar as proibições para viajar e a obter apoio internacional para os diálogos. Em troca, o Taleban teria de reconhecer o governo afegão e respeitar o estado de direito.

O Taleban, que luta para restaurar um governo islâmico desde sua derrubada em 2001 pelos EUA, se ofereceram para iniciar conversas com os EUA mas até o momento se recusaram a um diálogo direto com Cabul, a quem considera um 'marionete' de Washington. 

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