Senadores propõem acordo de imigração, e Trump se opõe

Projeto não cita muro na divisa com México, e presidente diz ser perda de tempo

Trump discursa nesta segunda-feira (5) em fábrica em Ohio, no Meio-Oeste dos Estados Unidos
Trump discursa nesta segunda-feira (5) em fábrica em Ohio, no Meio-Oeste dos EUA - Jonathan Ernst/Reuters
Estelita Hass Carazzai
Washington

Na tentativa de romper o impasse sobre imigração nos EUA, senadores apresentaram uma proposta bipartidária ao Congresso nesta segunda (5) desta vez, porém, sob oposição da Casa Branca.

O plano, que ainda precisa arregimentar apoios, foi apresentado pelos senadores John McCain, um decano do partido republicano, e Chris Coons, democrata em seu segundo mandato.

A ideia é conferir cidadania aos chamados "dreamers", jovens imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças e estão sob ameaça de deportação, e prevê reforços na segurança da fronteira. Mas o texto não cita o muro que o presidente Donald  Trump prometeu ampliar na divisa com o México primeiro com fundos que cobraria do vizinho e depois com verba solicitada ao Congresso dos EUA e que diz ser "desesperadamente necessário".

"Qualquer acordo que não inclua o muro é perda de tempo", reagiu Trump em um de seus canais oficiais.

Os congressistas afirmam que a proposta é "um caminho viável" e "um ponto de partida", segundo Coons.

"É hora de acabar com esse impasse", defendeu McCain. "Nossa atual realidade política exige cooperação entre os partidos."

O Congresso está dividido a respeito das leis de imigração. A administração federal chegou a ficar três dias paralisada porque a aprovação do Orçamento travou diante da falta de consenso, e só voltou a operar porque foi fechado um acordo temporário.

Trump insiste em destinar US$ 25 bilhões em recursos para ampliar o muro na fronteira. Ele também quer restringir a permanência de familiares de imigrantes no que chama de "cadeia imigratória" e acabar com o sorteio de "green  cards" (autorização de residência permanente) entre imigrantes de nacionalidades com baixa representatividade nos EUA.

Paralisia

"O presidente já deixou claras suas propostas", afirmou o porta-voz da Casa Branca Raj  Shah, acrecentando que, para conceder cidadania aos "dreamers", é preciso reforçar a segurança na fronteira com o muro. "Sem isso, tornar legal quem estava aqui ilegalmente só vai piorar as coisas", disse.

Os democratas, por sua vez, dizem que um acordo que inclua financiamento do muro está fora de cogitação e pedem uma solução definitiva para os "dreamers", que eram protegidos por um programa do governo de Barack Obama revogado por Trump.

Eles acusam o republicano de rotular imigrantes como uma ameaça à segurança e aos empregos americanos, um estigma que rechaçam.

A proposta apresentada nesta segunda busca o meio termo. "Precisamos achar um jeito de voltarmos a trabalho, e este é um caminho viável", afirmou o senador Coons.

McCain e Coons argumentam que o projeto tem amplo apoio entre os congressistas: pelo menos 54 deputados já o apoiam o projeto, sendo metade de cada partido.

Sem acordo no Congresso, nesta sexta-feira (9) o governo dos EUA corre o risco de ficar novamente paralisado por falta de verba liberada.

Já o prazo para que se encontre uma solução para os "dreamers" se encerra no próximo dia 5 de março.

A partir daí, se não houver solução legislativa para sua permanência legal nos EUA, os jovens estarão sujeitos à deportação.

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