Coreia do Norte anuncia suspensão de testes nucleares e de mísseis de longo alcance

Em meio a negociações com sul-coreanos e EUA, país afirma que vai desativar zona de testes nucleares

São Paulo

O ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, anunciou na manhã deste sábado (noite de sexta, 20, no horário de Brasília) que seu país vai parar de testar bombas nucleares e mísseis de longo alcance e intercontinentais imediatamente, informou a Agência Central de Notícias, mídia oficial do regime.

Segundo o comunicado, Pyongyang também promete desativar uma região no nordeste do país usada para testes nucleares.

A agência estatal afirma que a decisão é uma aposta de Kim para obter crescimento e paz na península Coreana —o país está sob uma série de sanções internacionais por causa de seu programa nuclear, que freiam o crescimento de uma economia combalida e já limitada.

Foto divulgada pelo governo norte-coreano em 30 de agosto de 2017 mostra o que seria o lançamento do míssil de alcance intermediário Hwasong-12
Foto divulgada pelo governo norte-coreano em 30 de agosto de 2017 mostra o que seria o lançamento do míssil de alcance intermediário Hwasong-12 - Korean Central News Agency/Korea News Service/Associated Press

Mas a suspensão dos testes era uma condição colocada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para iniciar um diálogo com o regime norte-coreano. Foram 16 testes de mísseis apenas no ano passado e um teste de bomba nuclear, supostamente a potente bomba de hidrogênio, em setembro passado.

“A Coreia do Norte concordou em suspender todos os testes nucleares e fechar sua principal área de testes. São ótimas notícias para a Coreia do Norte e para o mundo —enorme progresso! Estou ansioso por nossa cúpula”, declarou Trump após o anúncio.

Nos últimos meses, a Coreia do Norte retomou e intensificou o diálogo com a Coreia do Sul, o que culminou no histórico envio de atletas para a Olimpíada de Inverno no país vizinho, em fevereiro. 

Essas negociações abriram a porta para contatos com os EUA, cada vez mais frequentes.

Na quarta (18), foi revelado que o ex-diretor da CIA e indicado por Donald Trump para ocupar o posto de secretário de Estado, Mike Pompeo, se reuniu com Kim no feriado de Páscoa, em preparação para uma cúpula dos dois 
líderes em maio ou junho.

Quando anunciou, em março, a intenção de participar da cúpula, Trump, que passara o primeiro ano de seu governo trocando insultos com Kim, dissera ter recebido por meio do governo sul-coreano a confirmação de que Pyongyang estava disposta a suspender seus testes nucleares.

A declaração, porém, foi vista com um grão de sal pela comunidade internacional. 

No final de março, a revista especializada Jane’s Intelligence Review publicou um artigo no qual afirma que imagens de satélite do mês anterior indicavam atividade nuclear em um reator experimental norte-coreanos, que, segundo o texto, poderia ser colocado em uso no fim deste ano. 

A decisão da Coreia do Norte, atribuída à promoção de melhoras econômicas para o público interno, foi tomada em um encontro oficial do Comitê Central do partido governista, que concordou em discutir uma “nova etapa” para a política externa do país.

As sucessivas rodadas de sanções solaparam a economia norte-coreana, inclusive a entrada de ajuda humanitária, da qual o país depende. A decisão da China, principal parceiro comercial do país, de apoiar sanções que proíbem Pyongyang de exportar carvão, ferro e chumbo foi o golpe mais forte. Os produtos barrados perfazem um terço das receitas de exportações do país, de US$ 3 bilhões.

O anúncio acontece ainda uma semana antes do encontro entre Kim Jong-un e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em uma zona desmilitarizada na fronteira. Será a primeira cúpula dos dois países em uma década e a primeira com Kim, que herdou o poder com a morte do pai, Kim Jong-il, em 2011.

Na quinta (19), Pyongyang já anunciara que abdicaria da exigência do fim da presença militar dos EUA na região. 

A reunião também alimenta expectativas de que os dois países, tecnicamente em guerra, assinem um acordo de paz. No fim do conflito na península, em 1953, foi assinado apenas um armistício.

RAIO-X

COREIA DO NORTE

Área:  120.538 km2  (pouco menor que o Amapá)
População: 25 milhões  (equivale à população de MG e ES somadas)
PIB: US$ 28 bilhões*  (Brasil é US$ 1,8 tri)
PIB per capita**: US$ 1.700*** (Brasil é US$ 15,5 mil)
Desemprego: 26%* (Brasil é 12,6%)
Inflação: sem estimativa (Brasil é 2,95%)
IDH: sem estimativa (Brasil é o 79º)

COREIA DO SUL

Área: 99.720 km2  (pouco maior que Pernambuco)
População: 51 milhões  (equivale à população de SP e PR somadas)
PIB: US$ 1,5 tri  (Brasil é US$ 1,8 tri)
PIB per capita**: US$ 39,4 mil (Brasil é US$ 15,5 mil)
Desemprego: 3,8% (Brasil é 12,6%)
Inflação: 1,9% (Brasil é 2,95%)
IDH: 0.901 (18º; Brasil é o 79º)

* Estimativa de 2013
** Em paridade de poder de compra
*** Estimativa de 2015

Fontes: CIA World Factbook; Banco Mundial

Com Reuters e New York Times

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