Descrição de chapéu Venezuela

Vice de Trump visita imigrantes venezuelanos em abrigo de Manaus

Pence promete ajuda ao Brasil para acolher estrangeiros, mas não dá prazo para liberar verba

Monica Prestes
Manaus

No último dia de sua passagem pelo Brasil, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, visitou famílias de imigrantes venezuelanos que vivem em um dos abrigos que integram o programa de interiorização do governo federal em Manaus, na manhã desta quarta-feira.
 
O local, que foi adaptado para receber famílias inteiras e, assim, não forçar a separação de pais e filhos, está entre os que podem ser beneficiados pela doação de mais de US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) prometida por Pence para iniciativas de acolhida a refugiados venezuelanos no Brasil.

O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em visita a abrigo para imigrantes venezuelanos em Manaus, nesta quarta (27)
O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, em visita a abrigo para imigrantes venezuelanos em Manaus, nesta quarta (27) - Sandro Pereira/Codigo 19/Folhapress


 
Nem o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), nem o governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PDT), participaram da visita.
 
Para o coordenador da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, que administra o abrigo, padre Orlando Barbosa, a visita não atendeu as expectativas. Apesar da confirmação de que a verba americana ficará disponível para o Ministério do Desenvolvimento Social, Pence não anunciou prazos.
 
“Ele trouxe um discurso político imperialista e usou a fala dos próprios imigrantes para criticar o governo venezuelano. Não é uma defesa do povo brasileiro, não é só uma visita humanitária, e é isso que nos deixa atônitos. Mas a importância desse encontro está em mostrarmos que nenhum país precisa fechar as portas nem construir muros para a cultura e as pessoas de outros países”, ponderou o padre.

A visita ao abrigo Santa Catarina de Sena acontece em meio à repercussão negativa da política de “tolerância zero” do governo Trump contra a imigração ilegal, que resultou na separação de mais de 2.000 crianças dos pais (todos imigrantes ilegais), entre elas pelo menos 51 brasileiras.

 
Esse foi um dos assuntos discutidos por Pence e Temer na terça-feira (26), em Brasília. Na ocasião, o pronunciamento do vice americano provocou desconforto no governo brasileiro ao cobrar uma atuação mais enérgica do Brasil no sentido de isolar o ditador Nicolás Maduro na Venezuela e de colaborar na resolução da crise migratória no continente.

 

Programação fechada

 A comitiva de Pence chegou ao Aeroporto Internacional de Manaus por volta das 11h desta quarta e seguiu direto para a Casa de Acolhida Santa Catarina de Sena, no bairro Petrópolis, zona sul da capital amazonense, onde vivem 86 imigrantes, entre homens, mulheres e crianças.
 
De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas, 180 homens participaram do esquema de segurança.
 
Pence conheceu as dependências do prédio, conversou, com ajuda de tradutores, com alguns dos imigrantes que ali residem e com representantes de entidades envolvidas no acolhimento aos venezuelanos em Manaus, contou o padre Orlando Barbosa.
 
Após aproximadamente uma hora e meia, a comitiva norte-americana seguiu para a parte turística da programação: um sobrevoo de helicóptero pela Zona Franca de Manaus e pontos turísticos da região.
 
Após o “passeio”, a previsão era retornar ao aeroporto para seguir para o próximo destino, a Guatemala, onde Pence deve se reunir com os presidentes daquele país, de Honduras e de El Salvador.
 

Acolhimento

O prédio onde funciona a Casa Santa Catarina de Sena, escolhida entre os cinco abrigos da capital para receber a visita de Pence, ficou seis anos fechado antes de ser reformado para receber o primeiro grupo de venezuelanos trazidos de Boa Vista, no início de maio.
 
Os quartos, coletivos, foram divididos por gênero e idade: homens e garotos acima de 12 anos ficam separados das mulheres, meninas e crianças pequenas. Mulheres grávidas também têm um espaço próprio.
 
Nos abrigos de Manaus, atualmente, aproximadamente 400 imigrantes venezuelanos recebem alimentação, atendimento de saúde e outros serviços básicos, como emissão de documentos, além de assistirem a palestras e oficinas e de serem encaminhados para vagas de trabalho.
 
Dois desses abrigos são destinados exclusivamente a cerca de 200 indígenas da etnia Warao que, ao longo em 2017, migraram em massa para Manaus e chegaram a ficar meses acampados em praças e na rodoviária, em situação de risco e mendicância.   
 
Depois de Boa Vista, Manaus é a cidade brasileira que mais recebe venezuelanos, e o  número de pedidos de refúgio segue crescendo no Amazonas: enquanto em todo o ano de 2017 a Polícia Federal registrou 2.780 solicitações, só nos primeiros quatro meses de 2018 foram mais de 3.500 pedidos.

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