Líder de separatistas pró-Rússia na Ucrânia morre em explosão em Donetsk

O eletricista Alexander Zakharchenko era o principal nome da região controlada pelos rebeldes

Moscou e Kiev | Reuters e AFP

O principal líder dos separatistas pró-Rússia que atuam no leste da Ucrânia morreu nesta sexta-feira (31) após uma explosão em um café na cidade de Donetsk. A morte de Alexander Zakharchenko, 42, foi inicialmente anunciada pelos rebeldes e depois confirmada por Moscou e Kiev.

Um eletricista que trabalhava em minas de carvão na região, ele se tornou líder de uma das milícias que participaram da derrubada do governo de Donetsk em 2014.

Alexander Zakharchenko durante evento em teatro em Donetsk em 2014
Alexander Zakharchenko durante evento em teatro em Donetsk em 2014 - Maxim Zmeyev - 21.out.2014/Reuters

Pouco depois, foi escolhido como o principal líder (oficialmente o chefe de Estado) da  autoproclamada República Popular de Donetsk, que conta com apoio humanitário e militar da Rússia e controla parte do território ucraniano, mas que não é reconhecida pela comunidade internacional.

Segundo a agência de notícias Reuters, Zakharchenko foi escolhido diretamente por Moscou para comandar os separatistas, o que ele negava. 

Inicialmente a Rússia afirmou que a morte de Zakharchenko foi um ato terrorista e culpou o governo ucraniano pela ação, acusando Kiev de planejar um ataque de larga escala contra os separatistas do leste.

O presidente russo Vladimir Putin, porém, adotou um tom mais cauteloso e não citou nominalmente a Ucrânia pela ação.

"O assassinato covarde de  Alexander Zakharchenko e mais uma evidência que aqueles que escolheram o caminho do terror, da violência e de espalhar o medo não buscam uma solução política pacífica para o conflito", disse Putin em nota.

"Eles estão fazendo uma perigosa aposta na desestabilização da região", diz o comunicado, que não explica quem estaria fazendo isso.

A Ucrânia, porém, negou envolvimento no caso e disse que o ataque é resultado de disputas internas dentro dos grupos separatistas. A porta-voz do serviço secreto do país, Yelena Gitlyanskaya, afirmou que a morte foi consequência dos anos de conflito entre terroristas e forças apoiadas pela Rússia. 

Oficialmente a guerra na Ucrânia está paralisada desde um cessar-fogo em 2015, mas na prática os confrontos violentos continuam na região.

O conflito começou em 2014, na esteira dos protestos em Kiev que derrubaram o governo do então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, que era apoiado pela Rússia.

Com isso, as milícias apoiadas por Moscou tomaram controle de regiões no leste, próximo a fronteira entre os países, enquanto tropas russas ocuparam a península da Crimeia. 



 

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