Washington aumenta risco de uma guerra nuclear, afirma Putin

Trump tem se recusado a discutir a renovação de acordo que limita ogivas nucleares.

O presidente russo Vladimir Putin durante sua coletiva de imprensa anual em Moscou - Maxim Shemetov/Reuters
São Paulo

Em sua entrevista coletiva anual em Moscou, Vladimir Putin afirmou que o risco de um conflito nuclear acontecer aumentou com as recentes escaramuças com os EUA em torno de acordos de controle de armas.

Ele se referia à ameaça de Washington de deixar o tratado que regula a instalação de mísseis de alcance curto e intermediário na Europa.

Um dos principais acertos do ocaso da Guerra Fria, ele fez com que EUA e União Soviética retirassem esse tipo de arma da região. Hoje ele é quase um anacronismo, dado o desenvolvimento de novas armas que Washington acusa Moscou de ter promovido.

Além disso, o presidente Donald Trump tem se recusado a discutir a renovação do importante acordo Novo Start, que limita as ogivas nucleares.

“Nós estamos essencialmente assistindo à ruptura da ordem internacional de controle de armas e a uma corrida armamentista”, disse ele.

“Nós vamos sobreviver e garantir nossa segurança. Mas, no geral, isso é muito ruim para a humanidade porque nos leva mais perto de um limite perigoso”, afirmou, lembrando que se uma guerra nucelar ocorresse, “iria levar ao fim da civilização, talvez do planeta”.

Há cerca de 14,5 mil ogivas nucleares —e 92% delas são russas ou americanas.

Na entrevista, de 3h45min (3 minutos a mais que em 2017, mas 55 minutos a menos do que o recorde de 2008), falou sobre o ano em que se elegeu pela quarta vez —ele está no poder, presidente ou como premiê, desde 1999.

Disse que não há saída militar para a crise com a Ucrânia, defendeu sua impopular reforma da Previdência e disse que, aos 66 anos e divorciado, ainda pretende se casar.

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