Descrição de chapéu Fórum Econômico Mundial

Na estreia, Davos cobra de Bolsonaro agenda econômica e democrática

Fórum Econômico Mundial, nesta semana, tratará de finanças, tecnologia, clima e migração

Maria Cristina Frias Luciana Coelho
São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro estreará no Fórum Econômico Mundial em Davos com um “plano de negócios” que vai expor suas ideias de reformas econômicas e o seu roteiro de privatizações, mas à sombra de temas nos quais tem sido questionado, como clima e migração.

Há expectativa crescente para saber como o presidente, que terá na cidade suíça de 11 mil habitantes seu primeiro palco internacional, se sairá em ambas as searas.

A agenda de Bolsonaro estava sendo afinada até as últimas horas antes de ele embarcar rumo aos Alpes, na noite deste domingo (20), com uma comitiva de cinco ministros.

cidade nevada rodeada por montanhas
A cidade de Davos, na Suíça, que recebe o Fórum Econômico Mundial nesta semana - Arnd Wiegmann/Reuters

As estrelas são Paulo Guedes (Economia), encarregado de convencer os investidores de que as reformas prometidas serão implementadas, e Sergio Moro (Justiça e Segurança), convidado para dois painéis do Fórum sobre integridade e crimes globais. 

Augusto Heleno (GSI), Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) e o chanceler Ernesto Araújo completam o time, que inclui Mario Vilalva, da Apex, o secretário de comércio Marcos Troyjo, o deputado Eduardo Bolsonaro e o assessor internacional Filipe Martins.

O tamanho da comitiva do governo é inversamente proporcional ao quórum desta 49ª edição do evento, que sofreu defecções como Donald Trump, Emmanuel Macron, Mauricio Macri e Theresa May. Em 2018, foram mais de 70 chefes de Estado, tornando concorrida a plenária.

Neste ano, o palco mais prestigiado deve assistir a apenas cinco discursos de governantes, segundo constava na programação de sexta (18): Bolsonaro, Angela Merkel (Alemanha), Shinzo Abe (Japão), Giuseppe Conte (Itália) e Pedro Sánchez (Espanha).

Todos, além do vice do regime chinês, Wang Qixan, falam na quarta (23), exceto o brasileiro, que discursa às 15h (12h no Brasil) de terça, quatro horas após a cerimônia de abertura com o fundador e chairman do Fórum, Klaus Schwab.

O tema desta edição é “Globalização 4.0: Moldando uma Arquitetura Global na Era da Quarta Revolução Industrial”.

O pronunciamento do presidente deve sinalizar a disposição do Brasil para fazer comércio e atrair investimentos do mundo, como fizeram, em suas estreias em Davos, Michel Temer (2018), Dilma Rousseff (2014), Luiz Inácio Lula da Silva (2003) e Fernando Henrique Cardoso (1998).

Mas Bolsonaro quer também certificar as credenciais democráticas do país, falar da integração à região e ao Mercosul e mostrar seu plano para modernizar a economia.

A reforma da Previdência é o principal item na pauta da comitiva econômica, e, a princípio, seria abordada a partir de cinco vértices: demografia, privilégios, diferenças entre trabalhadores do campo e da cidade, diferenças de categorias profissionais e vinculação de benefícios assistenciais.

Mas as notícias mais esperadas devem vir das privatizações, apurou a Folha, com a apresentação das estatais a vender e da projeção do impacto na economia do país.

Venda de imóveis públicos, concessões, inserção do Brasil nas cadeias de produção globais e desburocratização do ambiente de negócios também estão na pauta.

No setor privado, o Brasil estará representado pelos presidentes do Itaú, Candido Bracher, e do Bradesco, Luiz Trabuco, que vão a Davos com alguns dos principais executivos e economistas dos dois bancos, e pelos CEOs da Embraer, Paulo César de Souza Silva, e da Vale, Fabio Schvartsman.

Bolsonaro chega nesta segunda (21) e parte na quinta, um dia antes de o evento terminar. Na longa estada, participará de um jantar com presidentes latino-americanos e convidados, de um almoço sob o tema “O Futuro do Brasil”, na agenda paralela ao programa oficial, de um painel sobre a Venezuela (todos na quarta) e de reuniões bilaterais que seriam alinhavadas.

Se o trilho econômico do evento parece promissor para o presidente, o trilho social, que vem ganhando dimensão no Fórum nos últimos anos, pode apresentar obstáculos. 

Sob Bolsonaro, o Brasil deixou o pacto da ONU sobre migrações (conjunto de diretrizes para coordenar experiências no tema) e ameaçou sair do Acordo de Paris sobre o Clima. Os dois assuntos são objeto de vários painéis em Davos, que além de políticos, empresários e executivos reúne acadêmicos, ativistas, empreendedores e artistas.

A exposição a questões que o governo considera secundárias em um ambiente onde o liberalismo que o Planalto prega é levado a sério pode convencer Bolsonaro e seu gabinete a repensarem a ojeriza àquilo que consideram parte da agenda da esquerda, mas que tem atraído a preocupação de empresas e governos de centro-direita responsáveis.

 

Veja os discursos:

Dia 22
12h Jair Bolsonaro

Dia 23
8h Shinzo Abe (Japão)
11h15 Angela Merkel (Alemanha)
12h Wang Qixan (China, vice-presidente)
14h30 Giuseppe Conte (Itália)
15h Pedro Sánchez (Espanha)

https://www.weforum.org/events/world-economic-forum-annual-meeting

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.