Descrição de chapéu The Washington Post

Rainha Elizabeth 2ª tem plano de fuga caso brexit corra mal

Família real não deixou Londres durante 2ª Guerra, mas deve ser evacuada se houver tumultos

Jennifer Hassan
Londres | The Washington Post

A rainha Elizabeth 2ª e os membros da família real britânica devem ser transportados a um local não revelado, fora de Londres, caso um cenário de brexit (saída da União Europeia) sem acordo cause tumultos, noticiou a mídia britânica no domingo (3).

A data oficial para que o Reino Unido deixe a União Europeia é 29 de março, e o tempo da primeira-ministra Theresa May está se esgotando; os legisladores não param de brigar, e os britânicos estão formando estoque de absolutamente tudo, de peças para bicicletas a garrafas de vinho. A incerteza domina, mas, graças a planos que datam da época da Guerra Fria, pelo menos a rainha está salva.

Os planos de evacuação de emergência existem desde a Guerra Fria, mas agora foram adaptados para o caso de distúrbios civis caso o brexit ocorra sem um acordo, afirmou uma fonte do secretariado do gabinete britânico ao jornal Sunday Times, que optou por não revelar detalhes adicionais sobre o local escolhido como refúgio.

“Se houver problemas em Londres, é evidente que temos de retirar a família real de certos lugares chave”, disse Dai Davies, antigo encarregado de proteção à família real na Scotland Yard, a polícia metropolitana londrina, ao Times. “Para onde e como eles serão transportados é segredo de Estado, e não posso discutir o assunto”.

A família real ficou no palácio de Buckingham durante a 2ª Guerra Mundial, a despeito de temores graves quanto à sua segurança. Para muitos britânicos, a monarquia representa estabilidade e esperança nos períodos de desordem. 

Quando o palácio foi bombardeado pelos alemães, com o rei e a rainha presentes, a rainha-mãe escreveu uma carta que se tornou famosa: “As crianças não sairão a menos que eu saia. Eu não sairei a não ser que o pai delas saia, e o rei não deixará o país em circunstância alguma”.

Para alguns comentaristas, a ideia de que um monarca reinante deixe o país em caso de um brexit sem acordo é difícil de imaginar.

Em artigo para o jornal Telegraph, Iain Duncan-Smith, antigo líder do Partido Conservador, definiu o plano para a retirada da família real como “Projeto medo em modo turbo”, e o legislador Jacob Rees-Mogg disse ao Mail on Sunday que os planos mostravam pânico desnecessário.

Quando perguntado sobre o plano, Richard Fitzwilliams, especialista em questões da realeza, definiu as reportagens como “extraordinárias”.

“É inacreditável que isso tenha recebido tamanha exposição. Obviamente existiam planos para manter a família real em segurança durante a Guerra Fria. E todos sabem que o rei e a rainha ficaram no palácio de Buckingham durante a blitz [campanha de bombardeamento da Alemanha nazista]”.

“Sem dúvida, planos de toda espécie estão sendo revisados, caso tumultos associados ao brexit sejam vistos como possíveis, mas a ideia de que a monarca, que é o símbolo da unidade nacional, e outros membros da família real possam ser removidos da cidade é simplesmente bizarra”.

“E quem vazou essa história no governo? Deve ter sido o Ministério dos Andares Tolos”, brincou.

Em discurso no mês passado, a rainha Elizabeth 2ª instou as pessoas a “falarem bem umas das outras”, a despeito do momento desafiador e de fortes tensões, e a respeitar “pontos de vista diferentes” —a despeito da neutralidade da rainha em todas as questões políticas.

 Tradução de Paulo Migliacci

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