Apesar de processos de corrupção, Cristina lidera pesquisa presidencial na Argentina

No segundo turno, ex-presidente tem empate técnico com presidente Mauricio Macri

Sylvia Colombo
Buenos Aires

A sete meses da eleição presidencial na Argentina, que ocorre em outubro, a primeira pesquisa de alcance nacional do período pré-campanha mostra que a ex-presidente Cristina Kirchner lidera a corrida contra o presidente Mauricio Macri no primeiro turno, com 37,4% a 32,4%, respectivamente, e um empate técnico entre ambos no segundo turno, em novembro.

A pesquisa foi realizada pela consultora RTD a pedido do jornal El Economista.

O resultado mostra que as acusações de corrupção contra a ex-mandatária —que responde na Justiça a nove processos— não impacta em seu eleitorado, cujo núcleo duro sempre esteve em torno dos 35%.

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner deixa tribunal em Buenos Aires
A ex-presidente argentina Cristina Kirchner deixa tribunal em Buenos Aires - Juan Mabromata - 25.fev.19/AFP

Por outro lado, também expõe que, apesar da queda de popularidade devido à deterioração econômica do país, Macri (cuja gestão tem cerca de 30% de aprovação) não tem sido muito afetado, e continua sendo favorecido pela alta taxa de rejeição de Cristina, de cerca de 40% do eleitorado.

A pesquisa, porém, toma como terceira colocada a candidatura mais indefinida até agora, a que representará os peronistas ditos moderados. Utilizou como opção o mais bem cotado dentro desse grupo, Sergio Massa, ex-chefe de gabinete de Cristina e também peronista. Ele, no entanto, sairia com magros 14,5%.

No cenário mais provável, com um segundo turno, que ocorreria em novembro, a diferença de votos entre Cristina e Macri fica entre dois e quatro pontos percentuais —portanto, dentro da margem de erro da pesquisa, de quatro pontos percentuais. O número de indecisos é de 18%, deixando essa parte da disputa em aberto.

Se as primárias do kirchnerismo e do governo parecem definidas —e os candidatos devem mesmo ser Cristina e Macri—, o peronismo moderado ainda tem de escolher se o candidato será mesmo Massa, ou as outras opções até aqui: Juan Manuel Urtubey (governador de Salta), Roberto Lavagna (ex-ministro da economia), Miguel Pichetto (líder do Senado) ou Daniel Scioli (ex-vice-presidente de Néstor Kirchner).

"A questão econômica talvez não seja tão decisiva para Macri", diz à Folha o economista Marcelo Elizondo. "Apesar de a situação ser muito difícil nessa área, e o governo ter poucas chances de melhorar a vida dos argentinos daqui até outubro, talvez para reeleger-se no segundo turno bastará a rejeição alta de Cristina".

Os kirchneristas, porém, já definiram sua linha de campanha, que é a de insistir pesadamente na deterioração da economia popular, nos aumentos de tarifas e nos cortes das aposentadorias. Para isso, já está com as tropas nas ruas. Alguns deputados e senadores realizam atos para expor os efeitos dos ajustes, e sindicatos têm realizado atos e greves.

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