Equipe de revista feminina do Vaticano se demite em protesto contra editor

Em carta ao papa, Women Church World se diz 'reduzida ao silêncio' após reportagens sobre abusos de freiras

Vaticano | Reuters

A equipe da revista mensal do Vaticano dedicada a assuntos femininos, composta 100% por mulheres, pediu demissão em massa, afirmando que o novo editor da publicação está tentando limitar sua autonomia. 

A revista Women Church World publicou uma série de reportagens polêmicas, entre elas sobre abusos sexual de freiras por padres ou casos em que as religiosas eram feitas de escravas por bispos.

Lucia Scaraffia, que deu início à publicação há sete anos, pediu que uma comissão do Vaticano investigue o abuso sexual de mulheres dentro da Igreja Católica

Mulher lê o jornal L'Osservatore Romano, no Vaticano - Max Rossi - 27.abr.14/Reuters

Em uma carta aberta ao papa Francisco, ela disse que as 11 mulheres da equipe sentiram que estavam sendo" reduzidas ao silêncio" e denunciou uma tentativa de "retornar ao costume árido e antiquado de decisões impostas de cima, sob controle masculino direto".

As mulheres também pretendem explicar sua decisão em um editorial no próximo mês. 

No editorial, Scaraffia lamentou uma tentativa de voltar a uma seleção de mulheres "que garantam obediência, renunciando qualquer possibilidade de abrir um diálogo verdadeiro, livre e corajoso".

Em nota, Andrea Monda, que se tornou editor do jornal L'Osservatore Romano há três meses, negou as acusações. Ele disse ter garantido às mulheres "a mesma autonomia total e a mesma liberdade total" de que a revista já gozava e ter feito apenas algumas sugestões de reportagens e de pessoas a serem envolvidas nelas. 

Monda, que é leigo, afirmou ainda que manteve o orçamento da revista apesar do corte de gastos em outras áreas das operações de mídia do Vaticano e que a Women Church World continuará sendo publicada.

O editor anterior do jornal do Vaticano, Giovanni Maria Vian, amigo próximo de Scaraffia, foi abruptamente substituído por Monda em dezembro do ano passado.

Na mesma ocasião, o jornalista italiano Andrea Tornielli, amigo do papa Francisco, tornou-se diretor de todas as comunicações do Vaticano. 

No dia 31 de dezembro, o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, e sua vice, Paloma Garcia Ovejero, pediram demissão por desacordos sobre a estratégia de comunicação da Santa Sé. 

Em março, o monsenhor Dario Vigano renunciou como chefe da comunicação do Vaticano após um escândalo sobre uma carta que ele distribuiu aos jornalistas. 

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