Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após negativa de museu, hotel na Times Square deve sediar evento com Bolsonaro

Salão do New York Marriott Marquis, localizado em ponto turístico da cidade, foi reservado para 14 de maio

Marina Dias
Washington

Após o Museu Americano de História Natural em Nova York se recusar a sediar um evento em homenagem a Jair Bolsonaro, o hotel New York Marriott Marquis aceitou receber o jantar de gala que vai dar o título de Pessoa do Ano para o presidente brasileiro.

Em 14 de maio, o hotel na Times Square, um dos mais populares pontos turísticos de Nova York, deve ser o ambiente para a celebração organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

O hotel confirmou à Folha a reserva do espaço pela câmara para a noite do próximo dia 14.

Lobby do Marriott Marquis, na Times Square, em Nova York - Brendan McDermid - 8.nov.17/Reuters

Além de Bolsonaro, o evento vai homenagear o secretário de Estado do governo americano, Mike Pompeo.

Na semana passada, o Museu de História Natural havia divulgado nota para dizer que a reserva de seu espaço foi feita antes de ser informado que o presidente brasileiro era um dos homenageados e que o perfil de Bolsonaro não refletia as posições da instituição.

"Estamos profundamente preocupados, e o evento não reflete de nenhuma maneira a posição do museu de que há uma necessidade urgente de conservar a Floresta Amazônica, que tem profundas implicações para a diversidade biológica, comunidades indígenas, mudanças climáticas, e o futuro saudável do nosso planeta", dizia o texto.

O prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, por sua vez, pediu ao museu que não recebesse Bolsonaro e criticou o que considera posições homofóbicas e racistas do brasileiro, além de seu discurso sobre a Amazônia.

A partir de então, o Cipriani Hall, em Wall Street, passou a ser cotado como opção para sediar o evento mas, com a pressão do prefeito e dos ativistas ambientais, também se recusou a receber a festa.

​Bolsonaro e seus principais auxiliares têm um discurso considerado controverso sobre aquecimento global e a necessidade de preservação do meio ambiente. 

O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), por exemplo, disse que a discussão sobre aquecimento global é inócua e secundária, enquanto Ernesto Araújo (Relações Exteriores) já classificou o debate como "trama marxista".

A premiação organizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos é concedida há 49 anos e tem objetivo de reconhecer sempre dois líderes, um brasileiro e um americano, que trabalham pela aproximação e relação entre os dois países.

O jantar costuma ter cerca de mil convidados, com entradas ao preço individual de US$ 30 mil (cerca de R$ 118 mil). 

Aliados de Bolsonaro nos EUA já preparam um roteiro da viagem do presidente ao país para receber a homenagem.

Querem que, além do jantar, ele participe de outros compromissos na cidade, mas nada ainda foi fechado.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também deve estar entre os dias 13 e 14 de maio em Nova York para uma palestra a empresários e investidores.

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