EUA anunciam fim de isenção para quem comprar petróleo iraniano

Medida permite que Washington possa punir países que ainda fazem negócio com Teerã

Washington | AFP e Reuters

O governo americano anunciou nesta segunda (22) que não vai renovar a autorização que tinha dado a alguns países para continuar comprando petróleo do Irã sem sofrer risco de sanções.

A medida, que passa a valer a partir de 2 de maio, abre a possibilidade de Washington punir esse grupo caso os países insistam em fazer negócio com Teerã.

"Esta decisão visa zerar as exportações de petróleo do Irã, privar o regime de sua principal fonte de renda", afirmou a Casa Branca em comunicado ao anunciar a decisão.

Protesto em Teerã contra a decisão americana de deixar o acordo nuclear com o Irã em maio de 2018
Protesto em Teerã contra a decisão americana de deixar o acordo nuclear com o Irã em maio de 2018 - Atta Kenare - 9.mai.18/AFP

A decisão é mais uma tentativa do presidente Donald Trump de endurecer as regras contra o governo iraniano, na prática dificultando que o país siga vendendo petróleo no mercado internacional.

"A administração Trump e nossos aliados estão determinados a sustentar e expandir a campanha de máxima pressão econômica contra o Irã para pôr fim à atividade desestabilizadora do regime que ameaça os Estados Unidos e nossos parceiros e aliados, bem como a segurança no Oriente Médio" afirma o texto.

Trump tem aumentado a pressão sobre o Irã desde que em 2018 abandonou o acordo nuclear assinado com Teerã três anos antes. E em novembro, o americano anunciou o reestabelecimento de sanções ao petróleo iraniano. 

Mas oito países receberam uma isenção por seis meses —que termina no próximo dia 1º—, período no qual poderiam continuar comprando petróleo sem correr o risco de sofrer punições. É esse prazo que não será renovado.  

Entre os países na lista está a Índia, que tem boas relações com Washington, mas não concorda com a insistência dos Estados Unidos de que o Irã represente uma ameaça. 

Outros que serão afetados pela decisão são China e Turquia, abrindo uma nova frente de fricções em suas relações já tensas com Washington. Os demais —Grécia, Itália, Japão, Coreia do Sul e Taiwan— já reduziram drasticamente suas compras de petróleo iraniano. 

A isenção era uma tentativa do governo americano para impedir que as sanções causassem uma alta dos preços do petróleo, mas após o anúncio desta segunda o valor do produto subiu em Nova York e em Londres.   

Nesta segunda, Trump afirmou que espera que outros países exportadores de petróleo aumentem sua produção para compensar o bloqueio do produto iraniano.  

"A Arábia Saudita e outros integrantes da Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] vão mais do que compensar a diferença nos fluxos de petróleo agora com nossas sanções integrais sobre o petróleo iraniano", disse ele nas redes sociais. 

Em reação imediata, a Arábia Saudita disse que está disposta a atuar para impedir uma alta dos preços.  

"Riad continua comprometida com sua política consistente de estabilizar o mercado", disse o ministro da Energia saudita, Khaled al-Falih.

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