Democratas dos EUA exigem acesso completo a investigação sobre Rússia

Departamento de Justiça diz que pedido é prematuro e desnecessário

Washington

O presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos EUA intimou na quinta-feira (18) o Departamento de Justiça a entegar a versão original, sem cortes do relatório do procurador especial Robert Mueller sobre a suposta interferência russa nas eleições de 2016, bem como as evidências colhidas, até 1º de maio.

Embora Mueller tenha decidido não indiciar o presidente Donald Trump por crimes como obstrução de justiça, ele também afirma que a investigação não exonera o republicano.

A intimação, seguida de uma promessa de “grandes audiências” sobre as conclusões do relatório, abre uma via de confrontação entre a Câmara e o secretário da Justiça, William Barr, sobre que materiais os congressistas têm direito a ver após dois anos de investigação de Mueller.

Protesto questiona atuação do secretário da Justiça, William Barr, após divulgação de relatório, em Washington - Carlos Barria - 18.abr.19/Reuters

O deputado Jerrold Nadler (democrata de Nova York) pediu todas as evidências obtidas por Mueller, incluindo os sumários de entrevistas com testemunhas e informações confidenciais de inteligência, dando a entender que as revelaria publicamente. 

“Meu comitê precisa e tem o direito de ver a versão completa do relatório e as evidências relacionais, confirma e jurisprudência. Os cortes parecem ser significativos”, afirmou Nadler em nota.

“Mesmo a versão cortada do relatório lista exemplos graves de transgressões pelo presidente Donald Trump e alguns de seus colaboradores mais próximos”, acrescentou. “Agora cabe ao Congresso determinar o escopo total dessa alegada má conduta e decidir que passos tomar.”

Em nota, o Departamento de Justiça afirmou que a intimação é prematura e desnecessária.
“O departamento continuará a trabalhar com o Congresso para acomodar seus pedidos legítimos e consistentes com a lei e com os interesses do Executivo.”

No dia 2 de maio, está previsto que Barr preste testemunho público perante o comitê sobre o relatório. 
Deputados democratas, que têm o poder de iniciar um procedimento de impeachment, debatem agora como prosseguir. 

Liderado pela presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e pelo líder da minoria no Sernado, Chuck Schumer, um grupo de democratas rejeitou uma oferta de Barr para ver uma versão menos editada do documento. 

A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachussetts que é pré-candidata à Presidência nas eleições de 2020, defendeu nesta quinta que um inquérito formal de impeachment seja aberto.

No entanto, Pelosi se opôs publicamente a um impeachment, a menos que haja apoio bipartidário nas duas Casas.  As chances parecem pequenas, já que os congressistas republicanos abraçaram as conclusões de Barr de que, apesar das evidências coletadas, o presidente não cometeu nenhum crime. 

Ainda assim, Pelosi marcou uma conversa por teleconferência entre todos os deputados democratas na segunda-feira (22) para que discutam as implicações do que chamou de “assunto grave”. O Congresso está em recesso de duas semanas.

Trump, que repetidamente chamou a investigação de Mueller de uma “caça às bruxas”, voltou a fazer críticas nesta sexta (19).

“Declarações são feitas sobre mim por certas pessoas no Relatório Doido de Mueller, que são fabricadas e totalmente inverídicas”, afirmou o presidente em uma rede social. 

“Prestem atenção nessas pessoas que tomam supostas notas, quando as notas nunca existiram até que foram necessárias”, afirmou.

“Não é necessário que eu responda a essas declarações feitas no relatório sobre mim, algumas das quais são total besteiras e dadas apenas para que algumas pessoas fiquem bem (ou que eu fique mal).”

O ex-candidato presidencial pelo Partido Republicano Mitt Romney, hoje senador por Utah, afirmou ter ficado enojado pelo relatório, embora tenha considerado “bota notícia” o fato de não haver evidências suficientes para um indiciamento do presidente. 

“Ainda assim, fiquei enojado com a extensão e a penetração da desonestidade e da desorientação de indivíduos no alto escalão do país, entre eles o presidente”, afirmou em uma rede social.

Enquanto isso, uma pesquisa de opinião da Reuters/Ipsos indicou que a taxa de aprovação de Trump caiu de 40% em 15 de abril para 37% desde a divulgação do relatório, na última quinta (18). 

No entanto, a diferença está dentro da margem de erro, de 4 pontos percentuais para cima ou para baixo. Foram ouvidos 1.005 adultos.

The New York Times e Reuters

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