Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro volta a apoiar reeleição de Macri e pede que argentinos votem 'com a razão'

Em Buenos Aires, líderes sul-americanos discutiram situação na Venezuela e acordo do Mercosul

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O presidente Jair Bolsonaro, em viagem à Argentina, pediu a todos os argentinos que votem "com a razão e não com a emoção”.

Desde o começo de maio, o brasileiro vem apelando à população do país vizinho para que não reconduza a ex-mandatária de esquerda Cristina Kirchner ao poder, em claro aceno ao atual presidente do país, Mauricio Macri, com quem Bolsonaro se encontrou nesta quinta-feira (6). 

Cristina, no entanto, surpreendeu ao anunciar que concorrerá nas eleições de outubro ao cargo de vice-presidente na chapa que tem Alberto Fernandéz como candidato à Presidência. 

Os presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, à esq., e Argentina, Mauricio Macri, cumprimentam-se na Casa Rosada
Os presidente de Brasil, Jair Bolsonaro, à esq., e Argentina, Mauricio Macri, cumprimentam-se na Casa Rosada - Martín Zabala/Xinhua

Durante viagem a Dallas, nos EUA, no mês passado, por exemplo, o brasileiro disse esperar que a Argentina não siga o mesmo caminho da Venezuela, país que vive grave crise política e econômica. 

No encontro entre os líderes sul-americanos nesta quinta, Macri mencionou a Venezuela, dizendo que ambos os presidentes conversaram sobre o “duro momento que estão vivendo os venezuelanos".

"Faremos todo o possível para restabelecer a democracia lá.” Tanto a Argentina quanto o Brasil reconhecem o líder oposicionista Juan Guaidó como presidente interino e são contrários ao ditador Nicolás Maduro.

Em entrevista a jornalistas após o encontro com Macri, Bolsonaro voltou a afirmar que a situação na Venezuela só mudará se houver "uma rachadura na cúpula do Exército venezuelano". "Caso contrário fica complicado trazer normalidade para a região."

Já o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, disse que o Brasil espera a continuidade de "pressão diplomática contra a ditadura na Venezuela", e não admitiu que as negociações em Oslo tenham fracassado. "Vamos apoiar outras iniciativas como esta."

Questionado pela Folha sobre o fato de o governo brasileiro apoiar abertamente a candidatura de Macri, Araújo disse que o governo brasileiro não está pensando na volta do kirchnerismo.

"Não é pensando nessa hipótese que vamos deixar de aproveitar este momento. Não queremos de forma nenhuma interferir nas questões internas da Argentina." 

Na declaração que Macri concedeu na Casa Rosada ao lado de Bolsonaro, o argentino ainda lembrou que o Mercosul está completando 30 anos e que precisa se modernizar. Por isso, disse que o bloco está muito perto de um acordo com a União Europeia.

As negociações, que já se arrastam há mais de 20 anos, devem ser concluídas em três ou quatro semanas, de acordo com Paulo Guedes, ministro da Economia do Brasil.

O tratado teria como objetivo abrir mercados entre os dois blocos. Países do Mercosul almejam vender carne bovina, frango e açúcar. Já os europeus pretendem vender mais produtos industriais ao grupo sul-americano.

Macri e Bolsonaro também mencionaram conversas sobre um intercâmbio energético com a construção de duas hidrelétricas na fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina.

Eleito com a promessa de promover um choque neoliberal na Argentina, Macri enfrenta um agravamento da crise econômica no país —inflação acumulada em 55% nos últimos 12 meses e perspectiva de PIB negativo neste ano, além do aumento da pobreza.

Ainda assim, Bolsonaro, em entrevista ao jornal argentino La Nación, disse apoiar a política econômica "saudável" de Macri. Nesta quinta, em entrevista a jornalistas após a reunião na Casa Rosada, o brasileiro  disse que a "relação com a Argentina está cada vez melhor". "Eu vou torcer para a Argentina [na Copa América]." 

A opinião do presidente não é compartilhada pelo seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB), que criticou o mandatário do país vizinho em evento no Recife na quarta (5).

Em um hotel na capital pernambucana, Mourão afirmou que o presidente argentino não conseguiu realizar as reformas estruturantes necessárias. “Foi tímido, foi devagar nisso. Perdeu o passo, mas é aquele que ainda confiamos”, destacou. 

“Parece que é difícil para ele vencer as eleições no atual momento. Nos preocupa a volta do kirchnerismo na Argentina, o que pode representar problemas de relacionamento com o nosso país.”

Questionado pela Folha sobre as declarações do vice, Bolsonaro interrompeu a pergunta: "Não li a matéria".

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