Funcionários do Google querem que parada de San Francisco rejeite a empresa

Gigante da internet é criticada por permitir vídeos de conteúdo homofóbico no YouTube, do qual é dona

Josh Eidelson
Bloomberg

Quase cem funcionários do Google pedem que a organizadora da parada do Orgulho Gay de San Francisco (EUA) exclua a empresa da comemoração, aumentando a pressão sobre a gigante da internet para que reformule sua posição sobre o discurso de ódio na rede.

"Sempre que pressionamos por mudanças, somos informados apenas de que a empresa vai 'dar uma boa olhada nessas políticas'", escreveram os funcionários em carta enviada na quarta (26) à diretoria da San Francisco Pride.

Eles disseram que a empresa nunca se comprometeu a alterar as políticas questionadas e pediu diversas vezes para que os funcionários aguardassem o assunto ser avaliado.

"Para uma grande empresa, talvez a espera seja prudente, mas, para aqueles cujo direito de existir está ameaçado, não há tempo a perder, e já esperamos demais", afirmaram.

O abaixo-assinado pede que o Google seja descartado como patrocinador do desfile, bem como impedido de participar do evento, que ocorre neste fim de semana.

O Google tem estado sob fogo cerrado sobre sua reação às piadas homofóbicas e racistas feitas no YouTube (que pertence à empresa) pelo comediante e comentarista conservador Steven Crowder.

Logo do Google em frente ao prédio em Nova York da companhia - Brendan McDermid/Reuters

A plataforma de vídeos disse no começo do mês que os clipes de Crowder não violam suas políticas. Após críticas de alguns funcionários e de outras pessoas na rede, a empresa suspendeu a ferramenta que permite ao canal dele faturar com publicidade, mas não removeu os vídeos.

A diretora-executiva do YouTube, Susan Wojcicki, disse que sabia que as ações da empresa tinham sido "muito dolorosas para a comunidade LGBTQ", mas que vetar Crowder seria um problema, com milhões de pessoas perguntando sobre a validade de outros vídeos provocativos.

Isso não desanimou alguns funcionários da empresa. Enquanto o serviço de vídeo do Google "permitir abuso, ódio e discriminação contra pessoas LGBTQ+, a Pride não deve lhe oferecer uma plataforma que a pinta sob um verniz arco-íris de apoio a essas mesmas pessoas", escreveram eles.

Alguns empregados estavam preocupados que expulsar o Google do evento poderia impedi-los de marchar na parada gay. Então os funcionários propuseram um meio termo: protestar visivelmente contra o YouTube enquanto marchassem no contingente do Google no desfile. Mas a gerência da companhia disse à equipe que isso violaria o código de conduta da empresa.

"Eles alegam que o contingente é sua representação oficial, e nós não podemos usar sua plataforma para expressar uma opinião que não é a da corporação. Rejeitaram qualquer negociação", afirmaram.

Uma porta-voz do Google não respondeu aos pedidos de comentários sobre a orientação da empresa aos seus empregados relativa à parada do orgulho gay.

Segundo advogados, uma proibição desse tipo pode violar uma lei federal que protege o ativismo no local de trabalho, assim como uma legislação do estado da Califórnia (onde fica a sede da empresa) que protege a atividade política dos trabalhadores.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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