Descrição de chapéu Venezuela

Migração e menor expectativa de vida reduzem população da Venezuela, diz relatório da ONU

País perdeu habitantes pela 1ª vez desde 1950; 27 países reduziram população na última década

Flávia Mantovani
São Paulo

Apesar de a população mundial estar crescendo, é cada vez maior o número de países que vivem uma redução no número de habitantes, revela um relatório da ONU lançado nesta segunda-feira (17).

O documento, chamado World Population Prospects (prospecções da população mundial), é preparado a cada dois anos pela divisão de população das Nações Unidas e traz análises para 235 países e áreas, baseadas em informações de censos nacionais, pesquisas por amostragem e tendências históricas.

(Leia as previsões para a população mundial, que deve ganhar 2 bilhões de habitantes até 2050)

Imigrantes venezuelanos na fronteira entre o Peru e o Equador
Imigrantes venezuelanos na fronteira entre o Peru e o Equador - Guadalupe Pardo/Reuters

Em alguns países, o decréscimo na população acontece porque as mulheres têm menos filhos. Em outros, porque um grande número de pessoas está emigrando.

Um exemplo dessa segunda situação é a Síria, que perdeu 20% de sua população entre 2010 e 2019, protagonizando o maior declínio desta década.

Em segundo lugar vem Porto Rico. A ilha, que já apresentava alto número de emigrantes, vivenciou um aumento desse fluxo devido ao furacão Maria, em 2017. De 2010 para cá, perdeu 18% de sua população.

No total, foram 27 os países que apresentaram um decréscimo de ao menos 1% no número de habitantes na última década. Destes, 14 tiveram taxa de mortalidade maior do que a de nascimentos —caso do Japão e da Ucrânia.

Em 23 deles, o saldo de migração internacional foi negativo, ou seja, mais gente deixou o país do que chegou nesse período de tempo. 

O caso da Venezuela chama a atenção. Segundo o documento da ONU, o número total de habitantes do país é hoje 13,1% menor do que o que havia sido estimado em 2017.

“Essa redução ocorre principalmente devido às estimativas cada vez maiores de emigração devido à situação do país, apesar de que um declínio recente na expectativa de vida ao nascer também contribuiu para o decréscimo”, afirma a análise.

O país, que vinha apresentando crescimento populacional desde 1950, estagnou em 2015 e passou a perder gente em 2016. Mesmo com o número de nascimentos superando o de mortes, de 2015 até 2019, estima-se que tenha perdido 1,5 milhões de pessoas (baixou de 30 milhões para 28,5 milhões). Foi o único país da América do Sul que teve saldo negativo entre 2015 e 2020: -1,13%.

A expectativa de vida ao nascer dos venezuelanos, que vinha crescendo e estava em 73,07 anos no período de 2010 a 2015, baixou para 72,13 anos no quinquênio de 2015 a 2020.

De acordo com os dados, o saldo migratório da Venezuela na última década foi negativo, de -3,7 milhões de pessoas (o número é obtido subtraindo a quantidade de pessoas que entraram das que saíram).

Mianmar, Bangladesh, Nepal e Filipinas também aparecem entre os dez países com saldo mais negativo em termos de migração.

Na comparação entre grandes regiões, a Ásia Sul e Central foi a que mais enviou migrantes para outras áreas (saldo de -15,1) na última década. Em segundo lugar vem a América Latina e Caribe, com saldo de -5,4 milhões.

Já Europa e a América do Norte são regiões receptoras de migrantes. Nelas, o número de imigrantes excedeu o de emigrantes em 25,9 milhões na década de 2010 a 2020.

Alemanha, Japão, Itália, Rússia e Ucrânia estão entre os países que têm recebido mais imigrantes do que o contrário na última década, o que deve contribuir para a formação de sua população em um cenário de mais mortes do que nascimentos.

Até 2050, espera-se que ainda mais países vejam sua população diminuída em ao menos 1%: serão 55, de acordo com as projeções. A Lituânia e a Bulgária encabeçam a lista e devem perder 23% da população em 2050.

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