Descrição de chapéu The New York Times

Presidente das Filipinas diz que era gay mas foi curado

Rodrigo Duterte afirma ter tido ajuda de 'lindas mulheres'

The New York Times

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, disse em um evento em Tóquio (Japão) que se "curou" da homossexualidade com a ajuda de "lindas mulheres". Duterte fez os comentários na quinta-feira (30) durante discurso para uma multidão de filipinos.

No discurso, parte do qual foi apresentada à imprensa mais tarde, ele também pareceu tentar insultar o senador Antonio Trillanes, que é um importante crítico da repressão às drogas de seu governo, dizendo que o legislador é gay.

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, durante visita a Tóquio, no Japão - Kazuhiro Nogi - 31.mai/Reuters

Em uma declaração fornecida por sua porta-voz na segunda-feira (3), Trillanes disse: "Ao admitir seu passado gay, começo a desconfiar da verdadeira natureza da aparente obsessão de Duterte por mim".
"Também é totalmente possível que sua projeção como homem-forte seja apenas fachada", disse Trillanes.

"De qualquer modo, os coment√°rios de Duterte mostram como sua mente √© pervertida e doentia." 

Em seus tr√™s anos como presidente, Duterte desenvolveu a reputa√ß√£o de fazer coment√°rios pol√™micos, muitas vezes projetando-os como piada. Ele citou frequentemente a homossexualidade como um insulto, usando-a para descrever rebeldes comunistas, padres cat√≥licos e o ex-embaixador dos Estados Unidos em seu pa√≠s. 

Mas Duterte tamb√©m expressou outras opini√Ķes que lhe valeram o apoio de ativistas dos direitos gays nas Filipinas. Embora no passado ele tenha se oposto √† uni√£o entre pessoas do mesmo sexo, hoje ele diz que as apoia. 

Ele tamb√©m √© cr√≠tico da poderosa Igreja Cat√≥lica em seu pa√≠s, dizendo que foi abusado sexualmente por um padre quando adolescente. 

A homossexualidade n√£o √© proibida nas Filipinas. Os filipinos gays t√™m relacionamentos abertos aqui, e embora a Igreja Cat√≥lica desaprove as uni√Ķes gays h√° uma seita crist√£ que oficializa casamentos homossexuais.

Alguns ativistas filipinos dos direitos gays dizem que se acostumaram com os rompantes p√ļblicos de Duterte. 

"Os coment√°rios de Duterte s√£o escorregadios como merc√ļrio", disse Danton Remoto, diretor do Ladlad, partido pol√≠tico LGBT das Filipinas. "Sua opini√£o depende da plateia."

Mas Rhadem Camlian Morados, ativista dos direitos gays e cineasta, disse que desta vez o presidente foi longe demais.

"Sua piada gay foi muito contraproducente e difamatória", afirmou Morados, "como se houvesse necessidade de 'rezar para que os gays desapareçam' e que a homossexualidade fosse uma doença que precisa ser curada".

A Organiza√ß√£o Mundial de Sa√ļde (OMS) parou de classificar a homossexualidade como um transtorno mental h√° quase 30 anos. 

Duterte concluiu o evento em T√≥quio beijando v√°rias mulheres da plateia sobre o palco, pr√°tica pela qual foi criticado no ano passado. 

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves 

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