Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Brasil deve abandonar força de paz no Líbano

Diálogo ficou inviabilizado com possibilidade de inclusão do Hizbullah em lista de grupos terroristas

Ricardo Della Coletta
Brasília

​O Brasil deve abandonar sua participação na Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), encerrando sua presença no comando da força-tarefa marítima da missão de paz da ONU.

A informação foi confirmada à Folha por interlocutores no governo que acompanham o tema. Eles não disseram quando a retirada deve ocorrer, mas afirmaram que a decisão já está tomada. 

Hasan Nasrallah, líder do Hizbullah, tem discurso exibido em telão durante evento em Bint Jbeil - Mahmoud Zayyat - 16.ago.2019/AFP

O Brasil comanda a força-tarefa marítima da Unifil desde 2011. A missão de paz da ONU no Líbano foi criada em 1978, na esteira da invasão israelense no sul do país árabe. 

Pesou para a decisão de abandonar a Unifil, segundo membros do governo ouvidos pela Folha sob condição de anonimato, o cenário de cortes orçamentários na Defesa —a Folha já tinha informado em junho que o país estudava deixar a missão. 

Além disso, ​interlocutores que acompanham o tema avaliam que a presença brasileira no comando na missão ficaria prejudicada após o Jair Bolsonaro (PSL) confirmar que estuda declarar o Hizbullah uma organização terrorista

Embora tenha um braço que atue como milícia, o Hizbullah é um importante partido político e organização social no Líbano, sendo parte da coalizão de governo do país árabe.

Segundo uma pessoa que acompanha o caso, o Brasil era visto como um mediador de confiança pelo governo libanês, justamente por não tomar lado no histórico conflito árabe-israelense.

Com a nova postura do governo Bolsonaro de aproximação com Israel e com a possibilidade do presidente listar o Hizbullah como um grupo terrorista, a situação mudou.

O Ministério da Defesa disse que o navio brasileiro no Líbano “continua operando normalmente, como capitânia da força-tarefa marítima da Unifil”.

Referindo-se a uma reportagem publicada pelo site especializado Defesanet, que afirma que a retirada do Brasil da força de paz do Líbano responde a uma solicitação de Israel, o Ministério da Defesa disse que não houve pedido de Tel-Aviv. 

Segundo informações da pasta, o Brasil mantém um navio e uma aeronave na costa libanesa, com o objetivo “de impedir a entrada de armas ilegais e contrabandos naquele país, além de contribuir para o treinamento da marinha” do país árabe. A força naval comandada pelo Brasil inclui embarcações de diferentes nacionalidades. 

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