Policial dispara com arma de fogo durante manifestação em Hong Kong

Força de segurança usa canhões de água contra manifestantes

Hong Kong | AFP

Um policial de Hong Kong disparou ao menos uma vez com uma arma de fogo neste domingo (25), e a polícia local usou canhões de água contra manifestantes na ex-colônia britânica abalada por protestos pró-democracia.

"Pelo que entendi, um colega acabou de atirar com sua arma de fogo. O que soube é que um policial uniformizado fez o disparo", declarou o policial Leung Kwok Win a jornalistas.

Policiais aponta arma para manifestantes em Hong Kong
Policiais aponta arma para manifestantes em Hong Kong - AFP

No momento ocorriam confrontos violentos entre manifestantes pró-democracia e policiais em Tsuen Wan, a cerca de 10 quilômetros do centro da cidade.

Não foi possível saber quem era o alvo, mas esta foi a primeira vez que uma arma de fogo foi disparada desde que os protestos começaram em Hong Kong, há três meses.

O território semi-autônomo, um dos principais centros financeiros do mundo, vem sofrendo sua pior crise política desde a devolução do Reino Unido à China, em 1997.

Nascido da oposição a um projeto de lei, atualmente suspenso, visando autorizar extradições para a China continental, o movimento se transformou em uma campanha por mais democracia e proteção das liberdades.

Milhares de pessoas voltaram às ruas silenciosamente neste domingo sob forte chuva em Tsuen Wan.

Mas uma parte dos manifestantes ergueu uma barricada e jogou pedras e coquetéis molotov contra agentes da polícia.

Depois de fazer uso de gás lacrimogêneo, que não surtiu o efeito desejado, a polícia de choque usou canhões de água contra os manifestantes. 

Até então, as forças de ordem jamais haviam utilizado essa técnica de dispersão. Comum no Ocidente, constitui uma novidade em Hong Kong e, por essa razão, a população é extremamente sensível ao seu emprego.

'Futuro sombrio'

Desde o início do movimento, a reação do governo central tem sido mista.

Embora não tenha o direito legal de intervir diretamente em Hong Kong, Pequim usou uma série de métodos, desde intimidação até propaganda e pressão econômica, para tentar conter a oposição.

O MTR —o metrô de Hong Kong— enfrenta críticas públicas, depois de aparentemente ter cedido a acusações da mídia oficial chinesa, de estar a serviço dos movimentos dos manifestantes.

Neste domingo, algumas estações do bairro de Tsuen Wan, próximas do local do protesto principal, foram fechadas pelo segundo dia consecutivo.

Um segundo protesto de várias centenas de pessoas, incluindo parentes de policiais, também foi realizado em outro local da cidade no mesmo dia.

A polícia do território, frequentemente criticada pelos manifestantes. No sábado, a polícia enfrentou manifestantes que ergueram uma barricada no leste de Hong Kong.

Os confrontos marcaram o fim de um relativo período de calma de dez dias.

A polícia disparou gás lacrimogêneo e bateu em manifestantes que atiraram pedras e garrafas.

Dez pessoas foram hospitalizadas como resultado dos confrontos, incluindo duas em estado grave, de acordo com médicos.

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