YouTube tira do ar 210 canais usados em campanha contra ativistas de Hong Kong

Páginas teriam ligação com o governo chinês, um dos alvos dos protestos

Hong Kong | Reuters

O YouTube desativou 210 canais pela suspeita de terem feito parte de uma operação coordenada de influenciadores para questionar os protestos em Hong Kong, dias depois que o Twitter e o Facebook disseram que desmantelaram uma campanha similar originada na China continental.

"Esta descoberta teve relação com as recentes ações relacionadas à China anunciadas pelo Facebook e pelo Twitter", disse Shane Huntley, um dos líderes de segurança do Google, em um post. 

Manifestantes cobrem o olho durante protesto em Hong Kong, em referência à uma manifestante que foi ferida no olho durante uma ação da polícia - Anthony Wallace/AFP

O Twitter e o Facebook disseram na segunda-feira (19) que as contas removidas se envolveram em um esforço da China para minar os protestos em Hong Kong por meio de mensagens que chamam os participantes de extremistas perigosos.

Os protestos, que representam um dos maiores desafios para o presidente chinês Xi Jinping desde que chegou ao poder em 2012, começaram em junho em oposição a um projeto suspenso que permitiria a extradição de suspeitos para a China continental. A proposta foi descartada, mas os atos seguiram, com pedidos por mais democracia e responsabilização por abusos da polícia, entre outras demandas. 

"Estamos profundamente preocupados com as tentativas chinesas de manipular a opinião pública, espalhando desinformação sobre a situação em Hong Kong", disse à agência Reuters uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

A embaixada chinesa em Washington não respondeu aos pedidos de comentários. A missão chinesa à ONU enviou à Reuters um link para uma reportagem do jornal People's Daily, do Partido Comunista, que afirma que o Twitter e o Facebook "abusaram da liberdade de imprensa" para reprimir contas que revelaram violência nos protestos.

Twitter, Facebook e YouTube são bloqueados na China continental pelo governo, mas estão disponíveis em Hong Kong. Os três serviços proíbem práticas enganosas e contas falsas, embora este tipo de conteúdo seja encontrado com certa frequência em suas páginas. 

As três empresas também foram criticadas por usuários por obter receitas ao apoiar a mídia estatal e as autoridades na China.

Vários usuários em Hong Kong publicaram capturas de telas de redes sociais nas últimas duas semanas que, segundo eles, mostraram propagandas anti-protesto de canais como a estatal CCTV, exibidas em forma de anúncio no Twitter e no YouTube.

Em resposta, o Twitter disse na segunda-feira que não aceitaria mais publicidade da mídia estatal. O porta-voz do Facebook, Andy Stone, disse que "continuamos a analisar nossas políticas no que diz respeito à mídia estatal".

O YouTube disse que não planeja alterar suas políticas de anúncios, mas que em breve levará para a região da Ásia a inclusão de selos nos vídeos que deixam claro que aquele conteúdo foi pago pelo governo. 

O YouTube coloca um aviso sobre seus serviços de redes financiadas pelo governo em todo o mundo, incluindo as emissoras chinesas Xinhua, CCTV e CGTN, mas ainda não inclui o rótulo para os jornais chineses People's Daily, China Daily e Global Times.

As empresas de mídia social há muito tempo cortejam relações mais estreitas com agências de notícias e políticos de todo o mundo, na esperança de que conseguir que eles publiquem seus conteúdos nelas e, assim, tragam mais usuários. Mas as relações com governos como a China, que enfrenta regularmente críticas ao seu histórico de direitos humanos, atraíram o escrutínio de usuários e legisladores dos Estados Unidos.

Stone, do Facebook, confirmou que a empresa realizou treinamentos na China para funcionários de mídia do governo.

"Nós fornecemos um conjunto padrão de orientação e treinamento de melhores práticas para grupos em todo o mundo, incluindo governos, partidos políticos, meios de comunicação e organizações sem fins lucrativos, para que possam gerenciar suas páginas no Facebook", disse ele.

O Twitter e o YouTube não responderam às perguntas sobre seu apoio e treinamento para os meios de comunicação estatais, mas a Bloomberg revelou na quarta-feira que o Twitter treinou autoridades chinesas sobre como usar suas ferramentas.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.