Descrição de chapéu Venezuela

Ditadura libera Edgar Zambrano, vice de Guaidó, preso desde maio

Após soltura, Maduro afirmou que regime está de 'portas abertas' para negociações com a oposição

Sylvia Colombo
Buenos Aires

O vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Edgar Zambrano, que atuava como número dois da oposição venezuelana, foi libertado na noite desta terça-feira (17).

O anúncio da soltura foi feito pelo procurador-geral Tarek William Saab, que afirmou que os processos contra o opositor da ditadura serão revistos.

 

​Zambrano foi detido no dia 8 de maio, na porta da sede de seu partido, o Ação Democrática. 

Ele estava dentro de seu carro, que foi guinchado por agentes do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência) depois o opositor se recusar a sair do veículo.

O vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, após ser liberado da prisão, em Caracas
O vice-presidente da Assembleia Nacional, Edgar Zambrano, após ser liberado da prisão, em Caracas - Daniel Blanco/Reuters

Zambrano foi acusado de "traição à pátria" —no entanto, não houve audiências formais nem o início de um julgamento.

A ditadura apresentou a liberação de Zambrano como um "gesto de boa vontade", segundo o comunicado, após conversas com um setor minoritário da oposição.

Na segunda-feira (16), Nicolás Maduro culpou os opositores dos principais partidos —Vontade Popular, Justiça Primeiro, Venha Venezuela e Ação Democrática— por terem colocado um ponto final nas negociações em Barbados, mediadas pela Noruega.

Depois disso, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, iniciou um diálogo com partidos pequenos e pouco representativos da oposição, rejeitados pelas legendas grandes, para dizer que as negociações continuavam.

​​​Juan ​Guaidó, líder da oposição, porém, afirmou, por meio das redes sociais, que "a soltura de Zambrano é uma vitória da pressão cidadã e internacional". "Após o informe de [Michelle] Bachelet [alta comissária de direitos humanos da ONU], não foi uma gentileza por parte da ditadura. Dizemos hoje: Zambrano jamais deveria ter estado atrás das grades."

Em transmissão oficial na TV estatal, Maduro disse que o "governo está de portas abertas para continuar as negociações de Oslo", o que contradiz com ação tomada há algumas semanas, quando seus enviados deixaram a mesa de negociações. 

Zambrano, apesar de ser civil, estava preso numa base militar, a do Forte Tiuna, e passou quatro meses incomunicável, sem poder sequer receber visitas de familiares.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.