China não está na América Latina para ajudar, mas para controlar, diz senador americano

Rick Scott também alertou para os riscos da volta da esquerda na região

Patrícia Campos Mello
São Paulo

O senador pela Flórida Rick Scott encerrou nesta quinta-feira (10) uma visita de três dias ao Brasil advertindo os perigos da volta da esquerda na Argentina e a ameaça chinesa na América Latina.

O senador republicano Rick Scott durante visita a São Paulo
O senador republicano Rick Scott durante visita a São Paulo - Bruno Santos/Folhapress

Mais centrado em políticas para a América Latina no Senado, ele elogiou o presidente Jair Bolsonaro. Scott diz que o brasileiro “é focado em resultados” e recomendou boicote a todos os produtos chineses.

Por que o senhor está preocupado com a possibilidade de a esquerda vencer na Argentina? 

Será ruim para o povo e para o comércio. Basta ver o que fizeram com a economia argentina antes. O socialismo não funciona, intervenção do governo não funciona, governo administrando coisas não funciona. Livre mercado funciona.

O Brasil tem a oportunidade de mudar de rota. Brasileiros terão as mesmas oportunidades que nós, nos Estados Unidos.

Comparado ao governo anterior no Brasil, como o senhor avalia o atual? 

Eu nunca encontrei ninguém do governo anterior quando vim em 2011. 

Já Bolsonaro tem sido muito receptivo. Vou te dizer o que me impressionou. Sou empresário e, no mundo empresarial, as pessoas são muito focadas em resultados. 

Quando o encontrei, entendi que qualquer coisa que ele queira, ele quer o mais rapidamente possível. Ele entende que o tempo é importante. 

O senhor escreveu artigo para o Washington Post dizendo que pode ser necessário uso de força militar na Venezuela. 

Ninguém quer entrar em guerra. Mas precisamos fazer tudo o que podemos.

Espero que [Nicolás] Maduro deixe o poder e convoque eleições livres e justas. Estou trabalhando para garantir que não haja fornecimento de petróleo da Venezuela para Cuba. Isso vai afastar os cubanos, e eles são a chave para a segurança de Maduro. 

E a China e a Rússia, que apoiam Maduro? 

São claramente adversários dos EUA. A Rússia está envolvida em conflitos ao redor do mundo, e a China viola direitos humanos, são os maiores poluidores não respeitam nada.

Viajando pela América Latina, vejo que estão envolvidos em todos os países —e não é para ajudar a América Latina, é para controlar.

O sr. acredita que a presença chinesa na América Latina é uma ameaça? 

Claro, uma ameaça no mundo todo. A China não faz nada para beneficiar alguém. As democracias ajudam todo mundo. 

Governos totalitários como o da China comunista só ajudam a eles mesmos. Eles não compram soja do Brasil e dos EUA porque gostam da gente, compram porque precisam. Prender pessoas só por causa de sua religião [minoria muçulmana uigur] é desprezível.

 

O sr. já pediu um boicote a produtos chineses...

Sim, acho que não deveríamos comprar nada feito na China. E ponto final. Realmente não podemos fazer negócios com Huawei, ZTE, gente desse tipo. 

A Huawei e a ZTE têm negócios no Brasil. 

Qualquer um que faça negócios com Huawei e ZTE está correndo riscos. Eles vão ter os seus dados, as pessoas e os governos não terão privacidade.

Se você não se importa com isso, tudo bem, eles têm produtos baratos, não muito bons.

Como o sr. avalia a política ambiental brasileira para a Amazônia? 

Conversei com pessoas nesta visita, e elas estão muito comprometidas a fazer as coisas certas. Minha experiência é a seguinte: só se pode cuidar do ambiente se a economia estiver bem, senão não haverá dinheiro para isso.

Rick Scott, 66
Eleito para o Senado dos EUA em 2018, foi governador da Flórida entre 2011 e 2018. Cursou administração na Universidade de Missouri e Direito na Southern Methodist University

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