Descrição de chapéu Governo Trump

EUA planejam expandir coleta de dados de DNA de migrantes presos na fronteira

Trump negou que tenha considerado ordenar tiros em pernas de imigrantes

Washington | AFP
 

O governo dos Estados Unidos está preparando um plano para coletar mostras de DNA de todos os imigrantes detidos por cruzar a fronteira de forma irregular.

De acordo com funcionários do Departamento de Segurança Interna, que aceitaram falar em condição de anonimato, os EUA já coletam dados biométricos tradicionais, e o novo passo seria um conjunto adicional de identificação.

O governo ainda busca a tecnologia mais adequada para fazer essa coleta de dados, disseram os servidores, que não precisaram uma data para o início da medida, mas dizem estar realizando reuniões semanais para viabilizar a implantação do processo o mais rapidamente possível. 

Os dados serão guardados por uma divisão do FBI, e poderão ser usados também por outros setores do governo. 

Famílias de imigrantes chegam a centro de acolhida após deixarem detenção em McAllen, Texas - Loren Elliott - 12.jun.2019/AFP

Há uma norma sobre a coleta de dados de DNA de pessoas detidas que foram emitidas pelo Departamento de Justiça em 2006 e em 2010, mas que ainda não foram implantadas totalmente, de acordo com os funcionários. 

Um programa piloto realizado nas fronteiras fez testes de DNA em famílias de migrantes para confirmar se havia ligações de fato entre pais e filhos, de modo a tentar desmascarar adultos que atravessavam com crianças apenas para se beneficiar de programas de proteção familiar.

Há temores de que a adoção dessa prática acabe criminalizando os imigrantes, que terão seus dados colocados no mesmo banco no qual ficam informações de autores de crimes graves. 

“Esse tipo de coleta em massa altera o propósito de coleta de DNA para investigações criminais para o de vigilância da população, que é contrária à nossa noção básica de uma sociedade livre”, disse Vera Eidelman, advogada da entidade American Civil Liberties Union’s Speech, ao New York Times.

Há temores de que essa coleta possa afetar também familiares de migrantes detidos, que estejam em situação legal nos Estados Unidos.

A base de dados de DNA do FBI tem sido crucial para resolver milhares de casos nas últimas décadas, mas gera o receio de que possa haver mau uso dessas informações por parte das autoridades. 

'Sou duro, mas não tanto'

Também nesta quarta (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou as informações divulgadas pelo New York Times de que teria considerado atirar nas pernas de imigrantes e implantar fossas com crocodilos como método para conter o fluxo de entrada na fronteira com o México.

“A imprensa está tentando vender o fato de que eu queria uma [fossa] cheia de crocodilos e cobras, com uma cerca elétrica e pontas afiadas, na nossa fronteira sul”, escreveu Trump no Twitter. “Posso ser duro com a segurança nas fronteiras, mas não tanto. A imprensa ficou louca. Fake news!”, publicou.

As postagens são uma resposta à reportagem do jornal americano que detalha a frustração do presidente americano com as limitações da lei sobre o que ele pode fazer para conter os migrantes.

De acordo com a publicação, Trump cogitou usar répteis potencialmente fatais e cercas pontiagudas. Ele também teria sugerido que os soldados atirassem nas pernas de imigrantes. Ele só teria desistido da ideia quando um auxiliar lhe disse que a prática seria ilegal. 

Trump faz do combate à imigração irregular um dos eixos de seu governo e item central de sua campanha presidencial para a reeleição em 2020.

 

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