Observador é ferido em protesto no Chile

Novos protestos em Santiago são sinal de que reforma ministerial parece insuficiente

Santiago | Reuters e AFP

Um observador do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH) do Chile foi ferido nesta terça (29) com sete balas de chumbo disparadas contra seu corpo nos arredores do Palácio de La Moneda, em Santiago, em mais um dia de protestos no país.

A polícia montou um esquema de proteção nas quadras ao redor da sede do governo, para impedir a aproximação dos milhares de manifestantes que tomaram as ruas da cidade. Eles atiraram pedras, e as forças de segurança responderam com bombas de gás lacrimogêneo.

O funcionário ferido, identificado como Jorge Ortiz, foi atingido quando estava próximo ao metrô Universidade Católica. Ajudado por companheiros, foi levado a um hospital com lesões em uma perna e em um glúteo.

Manifestante com a bandeira chilena durante protesto em Santiago - Jorge Silva/Reuters

Os protestos desta terça são um sinal de que a reforma ministerial feita pelo presidente Sebastián Piñera ainda é insuficiente para acalmar os manifestantes.

Os chilenos ocuparam praças e ruas de forma majoritariamente pacífica, fechando o trânsito durante a tarde, enquanto eram vigiados pela polícia em caminhões blindados. Houve poucos focos de confronto violento.

Na noite anterior, vândalos haviam causado estragos, saqueando, incendiando e semeando o caos em meio a ativistas batendo panelas.

A nova porta-voz de Piñera, Karla Rubilar, condenou a violência, dizendo que esta não reflete os desejos da maioria. "Estamos falando de 6.500 pessoas que pensam que podem dominar Santiago, mas vamos encontrá-las", disse Rubilar a repórteres, descartando o retorno a um estado de emergência na capital.

Mais de 1 milhão de chilenos marcharam pacificamente contra a desigualdade em Santiago na última sexta-feira (25), no maior protesto desde o retorno do Chile à democracia em 1990.

Os tumultos no Chile continuam a ocorrer após mais de uma semana de protestos contra a desigualdade, nos quais pelo menos 20 pessoas morreram.

Milhares de manifestantes foram presos, segundo o Ministério Público, e as empresas chilenas tiveram prejuízo de mais de 1,4 bilhão de dólares. O metrô da cidade sofreu danos equivalentes a quase 400 milhões de dólares.

Na semana passada, os protestos já haviam levado Piñera, um bilionário de centro-direita que derrotara a oposição de esquerda nas eleições de 2017, a prometer mudanças favoráveis ​​aos trabalhadores.

Ele prometeu aumentar o salário mínimo e as aposentadorias, diminuir os preços dos remédios e do transporte público, além de estabelecer um sistema de saúde adequado.

O Chile, maior produtor mundial de cobre, há muito se orgulha de ser uma das economias mais prósperas e estáveis da América Latina, com baixos níveis de pobreza e desemprego. Mas a desigualdade e o crescente custo de vida têm mobilizado a população.

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