Berlim celebra 30 anos da queda do Muro com cerimônia, orquestra e música eletrônica

Líderes pedem unidade europeia em cerimônia para lembrar evento histórico

Público aguarda show diante de palco montado em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, por ocasião dos 30 anos da Queda do Muro - Tobias Schwarz/AFP
Berlim

A Alemanha comemorou neste sábado (9) o 30º aniversário da Queda do Muro de Berlim, que dividiu as Alemanhas ocidental e oriental durante a Guerra Fria. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, agradeceu aos países vizinhos do Leste Europeu por terem dado início às revoluções pacíficas que levariam à desintegração do bloco soviético.

"Junto com nossos amigos, rememoramos com grande gratidão os eventos de 30 anos atrás", disse Steinmeier durante uma cerimônia no Memorial do Muro, na Bernauer Strasse, em Berlim. O evento também contou com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com líderes da Polônia, Hungria, Eslováquia e República Tcheca.

Sem a coragem e o desejo de liberdade de poloneses, húngaros, tchecos e eslovacos, a revolução pacífica na Europa Oriental e a reunificação alemã não teriam sido possíveis", afirmou o presidente da Alemanha.

Ele e os líderes das outras quatro nações representadas depositaram rosas nos resquícios do muro existentes no memorial.

Em agosto de 1989, guardas de fronteira da Hungria permitiram pela primeira vez que cidadãos da antiga Alemanha Oriental atravessassem livremente rumo à Áustria, pavimentando o caminho para a queda do Muro três meses depois.

Steinmeier declarou, porém, que o evento histórico não marcou o "fim da história", termo cunhado pelo historiador Francis Fukuyama. Segundo o presidente, a disputa entre sistemas políticos continua, e o futuro é mais incerto do que nunca. "A democracia liberal está sendo desafiada e contestada", afirmou, em um chamado à Alemanha e seus aliados europeus a lutar por um continente unido e pacífico.

A mensagem foi ecoada por Merkel, que cresceu do lado oriental do muro. "Os valores em que a Europa se baseia —liberdade, democracia, igualdade, Estado de Direito, respeito pelos direitos humanos— são tudo menos autoevidentes. Eles precisam ser defendidos."

O ministro alemão de Relações Exteriores, Heiko Maas, fez um apelo pela unidade europeia e criticou os EUA. "O poder está saindo da Europa, modelos autoritários estão em alta, e os EUA estão crescentemente olhando para si mesmos. O direito internacional está perdendo terreno", afirmou. "Isso significa que temos de superar alguns de nossos tabus nacionais, especialmente aqui na Alemanha."

Os eventos dos 30 anos da queda do Muro culminariam com uma festa diante do Portão de Brandemburgo, na qual haveria uma apresentação da Orquestra Estatal de Berlim, dirigida por Daniel Barenboim, e shows de música eletrônica.

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