Finlândia escolhe primeira-ministra mais jovem do mundo

Sanna Marin, 34, liderará coalizão com outros 4 partidos chefiados por mulheres

Helsinque | Reuters

A Finlândia escolheu no domingo (8) a primeira-ministra mais jovem do mundo: Sanna Marin, 34. Ela será a terceira mulher a chefiar o governo.

Marin será nomeada na terça (10) e liderará uma coalizão de centro-esquerda com outros quatro partidos, todos chefiados por mulheres, três das quais com menos de 35 anos. Segundo a mídia local, dos 19 ministros do novo governo, 12 serão mulheres.

A ex-ministra dos Transportes e das Comunicações será também a mais jovem mandatária a governar o país: ela é dois anos mais jovem do que a centrista Esko Aho, que assumiu o cargo com 36 anos, em 1991.

Sanna Marin, nova primeira-ministra da Finlândia, durante conferência em Bruxelas - 9.dec.2019 - Xinhua/Zhang Cheng

​Marin foi escolhida por seu partido Social Democrata depois de o líder da sigla, Antti Rinne, renunciar na semana passada em função da maneira com a qual lidou com uma greve dos correios. A paralisação durou duas semanas e se espalhou para outros setores.

"Eu nunca pensei na minha idade ou gênero, mas nas questões pelas quais assumi a política e nas razões pelas quais fomos confiados nas eleições", disse ela à emissora pública YLE.

"Para o mundo, é interessante que elas sejam jovens e que sejam todas mulheres. Para a Finlândia, isso não é uma sensação", disse o comentarista político Risto Uimonen. A Finlândia foi um dos primeiros países da Europa a conceder o direito de voto às mulheres, em 1906, e o ​​primeiro do mundo a eleger mulheres para o Legislativo, em 1907.

Para comparação, tanto no Brasil quanto nos EUA, a idade mínima para ser presidente é de 35 anos. 

Os cinco partidos no poder decidiram manter a coalizão e continuar com os mesmos programas, mas disseram que haverá uma reformulação de postos.

Marin vem ascendendo rapidamente na política local desde que se tornou chefe do Conselho Municipal de sua cidade natal, a industrial Tampere, aos 27 anos.

Ela representa a ala mais à esquerda de seu partido, está em seu segundo mandato no Parlamento e é uma forte defensora do estado de bem-estar social.

Por exemplo, já afirmou "sonhar com creche grátis" na Finlândia, um país no qual a educação pública é gratuita da escola primária à universidade.

Criada em um apartamento alugado com a mãe e sua companheira, Marin foi a primeira pessoa da família a frequentar a universidade. Ela se diz fã da banda de rock Rage Against the Machine e tem uma filha de 22 meses.

No cargo de ministra dos Transportes e Comunicações desde junho, já tem alguma experiência como primeira-ministra, pois ocupou o posto durante licença médica de Antti Rinne no ano passado.

Para a cientista política Jenni Karimaki, da Universidade de Turku, o novo governo reflete o que os eleitores queriam nas eleições de abril do ano passado, com muitas mulheres e homens jovens eleitos para o Parlamento.

Marin toma posse em meio a uma greve que interromperá a produção em algumas das maiores empresas do país a partir desta segunda (9), depois de o Estado e sindicatos do setor industrial não conseguirem negociar um acordo sobre salários e condições de trabalho.

A União Industrial, que congrega trabalhadores dos setores químicos e de produtos em madeira, e dois outros sindicatos esperam que 100 mil funcionários paralisem seus trabalhos por três dias. 

A Confederação Finlandesa das Indústrias estima que as greves custarão às companhias um total de 500 milhões de euros em receitas perdidas. Serviços de emergência, saúde, aquecimento e distribuição de alimentos podem ser afetados.


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