Greve dos transportes na França contra reforma da Previdência chega ao 5º dia e trava Paris

Manifestantes e sindicatos querem que governo cancele proposta que unificará regimes de aposentadoria

Paris | AFP

Centenas de quilômetros de engarrafamentos e um cenário de caos no transporte público em Paris marcam nesta segunda-feira (9) o quinto dia de greve na França contra a reforma da Previdência do governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um teste de fogo para seu projeto.

A paralisação nos transportes provocou grandes filas na capital francesa, com poucos trens e linhas de metrô em circulação e mais de 500 quilômetros de engarrafamentos.

Passageiros em plataforma da estaçao Saint Lazare, em Paris - Christian Hartmann/Reuters

Nove das 15 linhas de metrô da cidade francesa ficaram completamente fechadas e apenas duas, 100% automatizadas e que circulam sem condutor, funcionavam normalmente.

Diante da falta de transporte público, e em um dia de fortes chuvas, muitos franceses resolveram usar os próprios carros, o que gerou mais de 600 km de engarrafamentos na região de Paris às 8h (4h em Brasília), três vezes acima do normal.

Sete das 25 garagens de ônibus de Paris amanheceram bloqueadas por grevistas: apenas um terço dos veículos saiu às ruas.

A empresa estatal de ferrovias SNCF cancelou pelo menos 80% das viagens dos trens de alta velocidade e advertiu para o risco de saturação nas estações. 

E a situação não deve melhorar na terça-feira (10), para quando os sindicatos convocaram uma nova jornada de greve e manifestações, após o sucesso da paralisação da última quinta-feira (5), que levou 800 mil pessoas às ruas.

A prorrogação da greve começa a incomodar os empresários, que previam apenas um impacto moderado com a paralisação, mas agora temem um agravamento da situação, gerada por bloqueios e escassez de combustíveis no período de festas de dezembro.

A mobilização é um protesto contra a proposta de reforma da Previdência, que pretende substituir os atuais 42 regimes de aposentadoria existentes (geral, de funcionários públicos, setor privado, especiais, autônomos e complementares, entre outros).

O governo francês quer criar um dispositivo que considera mais justo, mas os críticos —quase todos os sindicatos e a oposição de esquerda— afirmam temer uma "precariedade maior" para os aposentados. Segundo os influentes sindicatos do país, a reforma obrigará os franceses a trabalhar por mais tempo para receber uma pensão menor.

O projeto de reforma da Previdência ainda não foi revelado na íntegra, mas o governo já divulgou várias mudanças previstas. O Executivo pode propor uma transição de 10 a 15 anos entre os regimes atuais e o futuro sistema, o que reduziria o impacto para quem está perto de se aposentar. 

Sob forte pressão, o Executivo pretende apresentar o projeto completo na quarta-feira (11).

Nesta segunda-feira (9), o presidente Emmanuel Macron e seus principais ministros se encontraram para concluir os detalhes do projeto.

Já alto comissário Jean-Paul Delevoye, que redigiu a reforma, se reuniu com representantes dos sindicatos para tentar superar o impasse, mas o encontro terminou sem uma definição. 

Com isso, os sindicatos estão determinados a manter a disputa. "Não cederemos até a retirada da reforma, na qual não existe nada de bom", disse Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, uma das principais centrais do país.

Uma pesquisa publicada no domingo mostrou que 53% dos franceses apoiam a greve ou expressam simpatia por suas demandas, o que representa um aumento de seis pontos em uma semana.

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