Mortes por sarampo levam capital de Samoa a virar cidade fantasma

País da Oceania teve mais de 60 mortes por causa da doença nas últimas semanas

Wellington (Nova Zelândia) e Sydney (Austrália) | Reuters

Samoa, um pequeno país do Oceano Pacífico, fechou todas as escolas e está restringindo as viagens antes da temporada de Natal, pois o número de mortos por sarampo chegou a ao menos 62.

É o mais recente surto de epidemia global do vírus.

O governo determinou que as pessoas fiquem em casa por ao menos dois dias, para tentar conter o avanço da doença. Com isso, a capital, Apia, tornou-se uma cidade fantasma nesta quinta-feira (5), segundo o jornal The Guardian.

Enfermeira prepara vacina contra o sarampo em Le'auva'a, na Samoa
Enfermeira prepara vacina contra o sarampo em Le'auva'a, na Samoa - Allan Stephen - 4.nov.19/Unicef/AFP

Há uma determinação para que os moradores que não foram vacinados coloquem panos vermelhos do lado de fora de casa, para sinalizar a situação às equipes de saúde.  

A doença encontrou uma população suscetível em Samoa, onde a cobertura por vacinas era de apenas 31% quando o sarampo se instalou, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Após uma intensa campanha, chegou a 55%. A meta é expandir a imunização para 90%. A vacina demora dez dias para começar a fazer efeito. 

Em pouco mais de duas semanas, o número oficial de mortos subiu mais de dez vezes, chegando a 62 na quinta-feira (5), segundo o governo samoano.

Atualmente, há mais de 4.000 casos de sarampo registrados na população, de cerca de 200 mil pessoas. 

A grande maioria das mortes pela doença foi de crianças, com 54 vítimas com 4 anos ou menos. 

"Todas as nossas escolas estão fechadas, os exames nacionais foram adiados", disse à agência de notícias Reuters o reverendo Vavatau Taufao, secretário-geral da Igreja da Congregação Cristã em Samoa.

"Ainda estamos fazendo cultos, mas se piorar teremos que fechar a igreja completamente —e é quase Natal."

Os casos de sarampo estão aumentando em todo o mundo, mesmo em países ricos como a Alemanha e os Estados Unidos, pois os pais evitam a imunização por motivos filosóficos ou religiosos, ou por temores, refutados pelos médicos, de que as vacinas possam causar autismo.

Outras nações, por causa da pobreza ou do planejamento deficiente, deixaram os níveis de imunização caírem, expondo seus membros mais jovens a uma doença que ataca agressivamente o sistema imunológico.

A OMS alertou em outubro sobre um retorno devastador da epidemia de sarampo, já que o número de casos relatados aumentou 300% nos três primeiros meses deste ano.

Os números de casos relatados de sarampo são os mais altos de todos os anos desde 2006, disse a OMS.

Rota do Pacífico

Depois de causar devastação na República Democrática do Congo, em Madagascar e na Ucrânia, entre outros países, o sarampo começou a aparecer em massa no início deste ano na cidade de Auckland, na Nova Zelândia, um polo de viagens entre as pequenas ilhas do Pacífico.

A doutora Helen Petousis-Harris, imunologista da Universidade de Auckland, explicou que havia bolsões na comunidade onde as taxas de imunização caíram, permitindo que a doença se instalasse.

As autoridades de Samoa dizem que a baixa vacinação foi motivada em parte porque, no ano passado, dois bebês morreram após receberem a vacina. 

Com isso, o programa de imunização do país foi temporariamente suspenso. Mais tarde, descobriu-se que as mortes foram causadas por medicamentos mal misturados.

Samoa corre para administrar vacinas a crianças desde que declarou estado de emergência em 20 de novembro, e já vacinou 58.150 pessoas até agora, disse o governo.

A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, disse a repórteres que estava enviando vacinas adicionais e dezenas de profissionais médicos a Samoa para ajudar no surto.

O governo de Tonga atribuiu um surto recente de sarampo na pequena comunidade das ilhas do Pacífico a um time de rúgbi que retornou da Nova Zelândia, embora as taxas mais altas de vacinação em Tonga —e nas vizinhas ilhas Fiji— ajudem a conter o surto.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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