Ataque a míssil deixa ao menos 60 mortos em província no Iêmen

Base militar foi atingida por forças rebeldes; presidente iemenita pede atenção

Aden | Reuters

Um campo de treinamento militar na cidade de Marib, no norte do Iêmen, foi atacado por rebeldes houthis alinhados ao Irã na noite de sábado (18), deixando 60 soldados mortos e dezenas de outros feridos, segundo informou a televisão estatal saudita. À Reuters, fontes disseram que foram mais de 70 vítimas, além de dezenas de feridos.

Militares em desfile fazem fila um ao lado do outro. Os uniformes são verdes e têm boinas e faixas vermelhas. Portam fuzis
Membros da polícia militar dos rebeldes houthis realizam desfile em Sanaá, capital do Iêmen - Mohammed Huwais/AFP - 8.jan.2020

De acordo com fontes citadas pela emissora de televisão Al Ekhbariya, o ataque foi realizado com mísseis balísticos e drones, e mirou uma mesquita localizada no campo militar.

Na manhã deste domingo (19), o presidente iemenita pediu que os militares estejam alertas e de prontidão para combate. 

"O ataque confirma, sem dúvidas, que os houthis não têm interesse na paz", disse Abd-Rabbu Mansour Hadi, em nota publicada na agência estatal de notícias SABA.

O Iêmen tem sido palco de uma guerra por procuração entre o Irã e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, que interveio em 2015 para restaurar o governo de Hadi. A sede do governo está hoje em Aden, cidade portuária no sul do país, depois da deposição do presidente pelos houthis.

Os rebeldes, que têm controle sobre a maioria dos grandes centros urbanos do Iêmen, incluindo a capital Sanaá, negam ser marionetes do Irã e dizem estar lutando contra um sistema corrupto. O grupo ainda não assumiu a autoria dos ataques de sábado.

Desde 2015, o conflito deixou dezenas de milhares de mortos, em sua maioria civis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Quase 3,3 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas cidades, e 24,1 milhões, o que representa mais de dois terços da população, precisam de assistência, de acordo com a ONU, que denuncia a pior crise humanitária no mundo.

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