No seu 29º dia, greve nos transportes da França é a mais longa desde 1967

Em novo protesto, polícia francesa usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes em Paris

Paris | Reuters e AFP

A polícia francesa usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes que bloqueavam um ponto de ônibus de Paris na quinta-feira (2), no mais recente confronto entre autoridades e sindicatos sobre os planos de reforma da previdência.

A greve nos transportes da França, agora em seu 29º dia, é a mais longa desde 1967. E não deve terminar tão cedo com as negociações bloqueadas e a previsão de novas mobilizações para a próxima semana.

Quase 200 manifestantes se reuniram nesta quinta na frente de uma refinaria em Donges (oeste do país) e bloquearam as saídas.

Imagens de vídeo de um repórter de televisão da BFM publicado no Twitter mostraram a polícia disparando gás lacrimogêneo contra uma multidão na frente da estação de ônibus.

Passageiros usam ônibus do lado de fora da estação ferroviária Gare Montparnasse, em Paris, no 29º dia de uma greve contra a reforma das pensões do governo
Passageiros usam ônibus do lado de fora da estação ferroviária Gare Montparnasse, em Paris, no 29º dia de uma greve contra a reforma das pensões do governo - Stephane de Sakutin/AFP

O governo de Emmanuel Macron propõe que funcionários trabalhem dois anos extras para que recebam a aposentadoria integral. A proposta gerou protestos massivos, e metroviários em greve têm causado a paralisação parcial do transporte público e intermunicipal

Os sindicatos convocaram uma nova mobilização nacional para o dia 9 de janeiro e, a partir da próxima segunda (6), estão previstas manifestações de várias categorias de profissionais liberais, como os advogados, e no setor petroleiro.

O sindicato CGT quer organizar bloqueios a partir de terça (7) em refinarias e depósitos de combustíveis.

O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, pediu a participação de todos os franceses na paralisação.

A secretária de Estado de Economia, Agnès Pannier-Runacher, criticou esse tipo de mobilização e afirmou que o "bloqueio de refinarias é ilegal".

Na mensagem de fim de ano, o presidente francês pediu um "compromisso rápido" entre o governo e os sindicatos. O governo aposta em buscar uma solução negociada com os sindicatos mais reformistas.

Estopim

O projeto de reforma da Previdência foi o estopim da greve. A proposta de mudança pretende unir os 42 regimes de pensões existentes em um sistema único e aumentar em dois anos (de 62 para 64 anos) a idade mínima para receber a aposentadoria integral.

A idade legal de aposentadoria continuaria sendo de 62 anos, mas o trabalhador terá que esperar até os 64 (medida que será aplicada a partir de 2027) para receber a pensão integral.

O projeto de reforma da Previdência deve ser apresentado ao conselho de ministros em 22 de janeiro.

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