Descrição de chapéu Coreia do Norte

Jornal pró-Coreia do Norte elogia 'Parasita' por expor realidade sul-coreana

Longa ganhou Oscar de melhor filme e outras três estatuetas

Seul | Reuters

Uma obra-prima que expõe a realidade da diferença entre ricos e pobres na Coreia do Sul.

Assim um jornal aliado à Coreia do Norte elogiou, nesta sexta (21), o filme vencedor do Oscar de 2020, "Parasita", dirigido pelo sul-coreano Bong Joon-ho.

Primeiro longa em língua estrangeira a ganhar a estatueta de melhor filme nos 92 anos de história do Oscar, a película levou ao todo quatro estatuetas, incluindo a de melhor diretor e de roteiro original, além da de melhor longa-metragem internacional.

De acordo com o jornal Choson Sinbo, baseado no Japão, "Parasita" é uma "obra-prima que, de maneira artística e brusca, penetrou a realidade de um punhado de agiotas vivendo bem enquanto governava uma maioria esmagadora, que eles consideram cães ou porcos, e foi reconhecida como a número 1 nos EUA —e na indústria de filme caucasiana".

No longa, há duas famílias que funcionam como a imagem invertida uma da outra. Uma delas é pobre, habita um fétido porão sujeito a alagamentos e é formada por gente que aprendeu a ser malandra porque a realidade assim o impôs.

A outra é rica, mora numa mansão projetada por um arquiteto famoso e não esconde um deslumbramento com a opulência. No fundo, são iguais em suas mesquinhezas.

As vidas desses dois grupos se cruzam quando Ki-woo, do núcleo pobre, aceita dar aulas particulares de inglês para a filha primogênita do núcleo rico. Vê nisso a chance de colocar, um a um, os seus parentes na mansão.

Em junho de 2019, menos de um mês após a exibição de "Parasita" na Coreia do Sul, o site de propaganda norte-coreano DPRK Today havia dito que o filme "fazia as pessoas perceberem novamente que o sistema capitalista é uma sociedade podre e doente com um tumor maligno de ricos tornando-se mais ricos e pobres tornando-se mais pobres, uma sociedade sem esperança ou futuro ".

Os dois países, que até o final da Segunda Guerra eram um só, se separaram e ficaram sob órbitas de influência diferentes: o Norte, comunista, se aliou à União Soviética, e o Sul, capitalista, ficou do lado dos EUA.

Os dois países, que até o final da Segunda Guerra eram um só, se separaram e ficaram sob órbitas de influência diferentes: o Norte, comunista, se aliou à União Soviética, e o Sul, capitalista, ficou do lado dos EUA.

Norte e Sul entraram em uma guerra que durou três anos a partir 1953, quando o Exército norte-coreano invadiu e conquistou Seul. Os dois países queriam o controle total da península coreana.

Depois de milhares de mortos, a guerra terminou com um armistício, mas nunca houve um tratado de paz formal. Até hoje, as relações dos lados tensas, e as comunicações entre civis no norte e no sul, proibidas. 

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