Descrição de chapéu Coronavírus

Europa quer manter fronteiras fechadas até 15 de maio

'É cedo para baixar a guarda no continente', diz OMS, enquanto países começam a relaxar medidas

Bruxelas

A Europa pretende estender até 15 de maio a proibição de entrada de não residentes no continente. O fechamento das fronteiras terminaria no dia 15 de abril, mas a Comissão Europeia (Executivo do bloco) considera que é preciso mais tempo de isolamento para evitar a propagação do coronavírus.

A proposta da UE deve ser acatada pelos 31 países que adotaram a proibição em curso: os 27 membros da União Europeia e outros 4 países da zona Schengen (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), espaço de livre circulação dentro do continente.

Painel mostra voos cancelados no aeroporto de Dresden, na Alemanha
Painel mostra voos cancelados no aeroporto de Dresden, na Alemanha - Jens Schlueter - 27.mar.20/AFP

Exceções são abertas para cidadãos europeus, residentes e seus familiares diretos, profissionais de saúde ou de transporte, diplomatas, cientistas e em casos de emergência.

A renovação da barreira foi anunciada no mesmo dia em que o diretor para a Europa da OMS (Organização Mundial da Saúde), Hans Kluge, classifiou o estado da pandemia no continente como “ainda muito preocupante": "Não chegou a hora de baixar a guarda”.

Nas últimas semanas, a Eslováquia reabriu lojas que havia fechado para conter a transmissão do vírus, e outros cinco países preveem retomar gradualmente as atividades: Áustria, Bélgica, Suécia, Noruega e República Tcheca.

Embora não tenha divulgado datas, a Alemanha priorizou um programa de testes intensivos para detectar tanto infectados quando portadores de anticorpos, informações importantes para reabrir a economia sem colocar em risco o sistema de saúde.

A decisão de relaxar quarentenas tem que ser “considerada com muito cuidado”, afirmou Kluge, que teme a mensagem de que a doença está dominada: “O aumento dramático de casos no outro lado do Atlântico tira o foco de uma situação que ainda preocupa”.

O risco de enviar sinais contraditórios também fez a Comissão Europeia recuar da ideia de lançar nesta quarta um plano estratégico para a saída da crise.

Evitar uma saída descoordenada era uma das prioridades da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, que teme impacto negativo de aberturas rápidas demais, que aumentem muito o contato entre as pessoas e exponham os grupos mais vulneráveis.

Mas países como Itália e Espanha, que ainda têm seus hospitais sobrecarregados pelo alto número de doentes, disseram ao Poder Executivo da UE que o momento ainda é de fazer cumprir as medidas de distanciamento, e não de abrandá-las.

“Não queremos dar um sinal de que já chega de quarentena”, afirmou o principal porta-voz da Comissão, Eric Mamer, ao justificar o recuo. A proposta deve ser apresentada depois da Páscoa, embora um texto já tenha circulado extra-oficialmente.

As recomendações devem incluir as condições apontadas por especialistas como fundamentais, como acompanhar de perto a curva de transmissão e a expansão da doença na população (o que exige testes) e manter a capacidade de atendimento no sistema de saúde (o que exige reforço das estruturas e cuidado para que as equipes de saúde não sofram baixas).

Também deve propor que cada passo seja dado após um período razoável de tempo, de até um mês, para avaliar seu efeito.

Abertura gradual tem sido a estratégia dos países que já se adiantaram nos anúncios. Nesta quinta (9), a República Tcheca permitirá a reabertura de apenas algumas das lojas não essenciais.

O mesmo vai ocorrer na Áustria a partir de 14 de abril, e as lojas terão que limitar o número de clientes e garantir máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção para funcionários e disponibilidade de desinfetantes.

A partir de 1º de maio, shoppings e serviços como cabeleireiros também voltarão a funcionar. Bares, restaurantes e hotéis, porém, ficarão fechados pelo menos até meados de maio.

O país também fará um programa intensivo de testes de anticorpos.

Na Dinamarca, apenas escolas infantis e de ensino fundamental voltarão a funcionar, a partir de 15 de abril, e a Bélgica montou uma comissão de dez especialistas (virologistas, epidemiologistas, economistas e assistentes sociais) para monitorar o relaxamento, previsto para maio.

“A chave da transição para a vida normal é evitar um ressurgimento da epidemia”, disse a primeira-ministra, Sophie Wilmès.

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