Pela 1ª vez, Twitter põe alerta de desinformação em posts de Trump

Presidente afirmou que votação por correio gera fraudes eleitorais

San Francisco | Reuters

Nesta terça-feira (26), pela primeira vez, o Twitter classificou duas publicações do presidente americano, Donald Trump, como falsas. A rede social adicionou um alerta junto a mensagens nas quais o republicano afirma que votações por correio comprometem a validade de uma eleição.

A notificação —um ponto de exclamação azul— orienta usuários da rede social a "obterem informações sobre as cédulas por correio" e os direciona a uma página com notícias e artigos de checagem de fatos sobre as alegações de Trump.

O líder americano escreveu no início do dia que as cédulas por correio resultariam em "eleições fraudadas" e citou o governador da Califórnia, o democrata Gavin Newsom, para criticar o método, embora outros estados também tenham utilizado votos por correio em suas prévias.

"O governador da Califórnia está enviando formulários de votação para milhões de pessoas que moram no estado, independentemente de quem elas sejam ou de como foram parar ali", escreveu Trump.

"Muitas delas nunca consideraram votar antes [...]. Esta será uma eleição fraudada. De jeito nenhum!"

O Twitter confirmou que essa foi a primeira vez que aplicou um rótulo de verificação de fatos a tuítes do presidente sob sua nova política, introduzida neste mês, para combater desinformação sobre a Covid-19.

A empresa disse na ocasião que estenderia as regras adotadas a tuítes com informações controversas ou enganosas sobre o coronavírus a outros tópicos.

Trump durante entrevista coletiva na Casa Branca nesta terça-feira (26)
Trump durante entrevista coletiva na Casa Branca nesta terça-feira (26) - Jonathan Ernst/Reuters

O presidente americano usou a própria rede social para criticar a decisão.

"O Twitter está agora interferindo nas eleições presidenciais de 2020. Eles estão dizendo que minha declaração sobre as cédulas por correio, que levará a corrupção e a fraude maciças, está incorreta, com base na verificação de fatos da Fake News CNN e do Amazon Washington Post", escreveu ele, criticando a emissora americana e o jornal The Washington Post, cujo dono é Jeff Bezos, o fundador da Amazon.

"O Twitter está reprimindo A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, e eu, como presidente, não permitirei que isso aconteça!", completou.

Bolsonaro e Maduro

No fim de março, o Twitter apagou pela primeira vez duas postagens feitas pelo presidente Jair Bolsonaro.

A empresa considerou que as mensagens violavam as regras de uso ao potencialmente colocar as pessoas em maior risco de transmitir o novo coronavírus.

Os posts eram de vídeos de um tour que o presidente fez em 29 de março, no Distrito Federal, contrariando o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que havia recomendado que as pessoas ficassem em casa.

Nas filmagens, Bolsonaro cita o uso de cloroquina para o tratamento da doença e defende o fim isolamento social. Não há evidências científicas de que o medicamento tenha eficácia contra Covid-19.

Facebook e Instagram também apagaram as postagens por violarem suas regras em relação à pandemia que preveem a remoção de publicações "que fazem alegações falsas sobre curas, tratamentos, disponibilidade de serviços essenciais ou sobre a localização e gravidade do surto". O Instagram pertence ao Facebook.

Antes do brasileiro, o único chefe de Estado que havia tido postagens deletadas pela rede social era o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro —ele indicou uma receita caseira de uma bebida, segundo ele, seria útil para curar a Covid-19.

Em maio, o Instagram novamente considerou que uma publicação de Bolsonaro violava suas regras.

A rede social ocultou uma postagem, feita na função stories, que afirmava ter havido menos mortes causadas por doenças respiratórias no Ceará entre 16 de março e 10 de maio deste ano do que no mesmo período de 2019. O presidente chegou a escrever que havia "algo muito estranho no ar".

Enquanto a mensagem estava no ar (durante as 24h previstas pela ferramenta), o usuário era imediatamente alertado sobre a "informação falsa", mas tinha a escolha de visualizá-la.

publicação mostra números errados de mortes no Ceará
Alerta sobre publicação compartilhada no perfil do Instagram do presidente Jair Bolsonaro em 11.mai - Jair Bolsonaro no Instagram
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