Relatos de supostas festas da Covid-19 nos EUA alarmam autoridades

Oficiais condenaram realização de eventos para contaminação intencional e, depois, recuaram

Los Angeles | AFP

Autoridades do estado de Washington, nos EUA, alertaram na segunda-feira (4) para o ocorrência de festas em que participantes contrairiam coronavírus intencionalmente para se tornarem imunes —embora não haja comprovação científica de que pessoas curadas da Covid-19 estejam imunizadas.

Dois dias mais tarde, porém, oficiais do estado voltaram atrás e afirmaram que as festas provavelmente eram apenas reuniões de amigos, sem a intenção de espalhar o coronavírus.

Ainda assim, John Wiesman, secretário de Saúde do estado, condenou os encontros. Na quarta (6), disse que se "reunir em grupos no meio dessa pandemia pode ser incrivelmente perigoso". "Coloca as pessoas em risco maior de hospitalização e até de morte."

"Ainda não sabemos muito sobre esse vírus, incluindo quaisquer problemas de saúde a longo prazo que a infecção possa deixar para trás", acrescentou. "Esse tipo de comportamento desnecessário pode criar um aumento evitável nos casos e diminuir ainda mais a capacidade do nosso estado de reabrir gradualmente."

Em Seattle, arte com desenho em forma de coração onde se lê 'mantenha-se forte'
Em Seattle, arte com desenho em forma de coração onde se lê 'mantenha-se forte' - Jason Redmond -19.abr.20/Reuters

As suspeitas em torno das chamadas "corona parties" (festas de coronavírus) surgiram após autoridades do condado de Walla Walla, 420 km a sudeste de Seattle, relatarem que alguns dos quase cem casos na região se originaram em eventos nos quais infectados interagem com pessoas em busca de imunização.

Até quarta-feira, Walla Walla registrava 94 infecções por coronavírus e uma morte.

Questionada por um jornal local, a diretora de saúde do condado, Meghan DeBolt, afirmou não saber quando essas festas teriam sido realizadas, mas que havia ouvido relatos de pessoas que teriam estado em reuniões para contrair o vírus.

Depois, no entanto, sem evidências de que infectados com a Covid-19 contraíram o vírus em encontros do tipo, recuou.

Ela acrescentou que o condado está longe de conter o aumento local das infecções e que mais pessoas estariam participando de reuniões sociais, apesar das ordens de ficar em casa.

DeBolt pediu ainda aos moradores que sigam as medidas de distanciamento físico e social apropriadas para impedir a transmissão.

Até esta semana, apenas uma festa de Covid-19 foi oficialmente registrada nos EUA —em março, no estado de Kentucky. Uma pessoa acabou infectada.

Devido ao histórico de festas com a intenção de infectar pessoas em busca de imunização, especialistas americanos em saúde temem novos eventos do tipo.

Antes de uma vacina para catapora ser disponibilizada, em 1995, houve festas de transmissão da doença.

Também ficaram conhecidos no meio homossexual masculino eventos em que portadores do HIV transavam sem preservativo com parceiros que aceitavam correr o risco de contrair o vírus.

Os EUA são o país mais afetado pela pandemia de coronavírus, com mais de 1,2 milhão de casos e 76 mil mortes.

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