Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Trump adia comício em New Hampshire por mau tempo, mas chance de chuva é baixa

Último ato de campanha do republicano teve cerca de um terço de comparecimento previsto

Washington e São Paulo | Reuters

A campanha do presidente americano, Donald Trump, adiou um comício no estado de New Hampshire por uma "semana ou duas" por causa de uma tempestade tropical na Costa Leste, disse a porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, nesta sexta-feira (10).

O evento aconteceria na noite de sábado (11) num local aberto em Portsmouth. O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA prevê chuvas fortes e rajadas de vento durante a manhã. Na parte da tarde, no entanto, a tempestade deixará a área, segundo a agência.

Previsão publicada no site Weather.com mostra probabilidade de chuva de 8% a 15% entre 19h e 22h, no horário local.

Trump discursa em comício em Tulsa, Oklahoma; cerca 6.200 compareceram à arena, que tem capacidade para 19 mil
Trump discursa em comício em Tulsa, em Oklahoma; cerca 6.200 compareceram à arena, que tem capacidade para 19 mil - Nicholas Kamm - 20.jun.20/AFP

“O evento foi adiado por razões de segurança por causa da tempestade tropical Fay. Ele será remarcado e uma nova data será anunciada em breve”, disse Tim Murtaugh, diretor de comunicações da campanha de Trump.

O republicano tem realizado comícios, apesar das advertências de autoridades de saúde sobre os perigos de aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus.

O último deles, em Tulsa (Oklahoma), ficou esvaziado: apenas 6.200 dos 19 mil assentos disponíveis foram ocupados, de acordo com o corpo de bombeiros da cidade. O evento foi realizado em um local fechado, sem distanciamento social e com pouca adesão às máscaras de proteção.

Horas antes do comício, seis membros da campanha de Trump receberam diagnóstico de Covid-19.

Nos dias que sucederam o ato, a cidade viu um pico nos casos da doença. Quando questionado se o aumento de infecções foi provocado pelo evento de Trump, o diretor de saúde de Tulsa, Bruce Dart, disse que é muito provável que haja uma relação com os "vários eventos importantes que ocorreram recentemente".

O governador de New Hampshire, Chris Sununu, também republicano, disse no início desta semana que planejava cumprimentar Trump no aeroporto, mas não compareceria ao evento por causa do alto número de pessoas previsto para ir ao comício.

"Não vou me colocar no meio de uma multidão de milhares de pessoas. Como governador, tento ser o mais cauteloso possível por mim e por minha família", disse.

O presidente americano já negou diversas vezes a gravidade da pandemia e tem ignorado a orientação de usar máscara.

Viagem à Flórida

Trump esteve nesta sexta na Flórida, um dos estados do país mais castigados pelo novo coronavírus, ignorando os riscos de contágio ao aumentar suas aparições públicas antes das eleições.

O estado registra, até o momento, 232,7 mil casos confirmados de Covid-19 e 4.000 mortes.

De acordo com uma pesquisa da ABC News e Ipsos divulgada na quinta-feira, 67% dos americanos desaprovam a resposta de Trump ao coronavírus.

O presidente, no entanto, mantém sua estratégia de intensificar comícios e atos públicos para mobilizar sua base e garantir votos.

A Flórida, um estado-pêndulo, é fundamental para vencer as eleições presidenciais. Trump espera obter votos não apenas dos exilados cubanos, mas também da diáspora venezuelana de Miami, que pressiona pela saída de Nicolás Maduro do poder.

O candidato democrata, Joe Biden, que está cinco pontos à frente de Trump na Flórida, criticou a viagem do presidente.

"Com mais de 232 mil casos e mais de 4.000 mortes na Flórida, é claro que a resposta de Trump —ignorar, culpar terceiros e distrair— foi feita às custas das famílias da Flórida", escreveu o ex-vice-presidente de Barack Obama, que destacou os problemas de acesso a tratamentos médicos e os altos índices de desemprego no estado.

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