Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Em 1ª aparição como vice de Biden, Kamala Harris diz que EUA clamam por liderança

Senadora criticou resposta de Trump à pandemia e disse que está 'pronta para trabalhar'

Belo Horizonte

Em sua primeira aparição pública como candidata a vice-presidente na chapa de Joe Biden, nesta quarta-feira (12), a senadora pela Califórnia Kamala Harris afirmou que os EUA "clamam por liderança" e criticou o presidente Donald Trump por sua gestão da pandemia do coronavírus.

"Os Estados Unidos clamam por liderança, mas temos um presidente que se preocupa mais consigo mesmo do que com as pessoas que o elegeram, um presidente que está tornando cada desafio que enfrentamos ainda mais difícil de resolver", disse ela.

Biden, que desafiará Trump nas eleições de novembro, iniciou seu discurso elogiando a história de vida da escolhida, que foi procuradora-geral da Califórnia antes de ser eleita para o Senado.

 O ex-vice-presidente Joe Biden apresenta sua vice, Kamala Harris, em primeiro evento conjunto de campanha em Wilmington, Delaware
O candidato democrata à Presidência, Joe Biden, apresenta sua vice, Kamala Harris, em primeiro evento conjunto de campanha em Wilmington, em Delaware - Olivier Douliery/AFP

Kamala é filha de imigrantes: sua mãe nasceu na Índia, e seu pai, na Jamaica. Ela é a primeira negra e a primeira asiática-americana a disputar uma eleição presidencial nos EUA por um dos dois principais partidos.

"Kamala sabe pessoalmente como famílias de imigrantes contribuem para o nosso país, assim como os desafios de crescer nos EUA sendo negra e indo-americana", disse Biden.

Ao anunciá-la, na terça (11), a campanha do democrata acenou aos eleitores jovens, que procuram uma plataforma mais progressista, além de atender a demandas dos eleitorados negro e feminino, que pressionavam por uma vice com esse perfil.

Outro aspecto que pesou na decisão foi a idade de Kamala —com 55 anos, espera-se que ela rejuvenesça a chapa. Biden, 77, será o presidente mais velho dos EUA, se vencer, e provavelmente não disputaria uma reeleição em 2024.

Ainda em referência a suas origens, Kamala contou que seus pais se conheceram após se envolverem no movimento pelos direitos civis dos anos 1960.

"Depois das primárias mais competitivas da história, o país recebeu uma mensagem retumbante de que Joe era a pessoa para nos liderar [...]. E faço isso lembrando de todas as mulheres heroicas e ambiciosas que vieram antes de mim, cujo sacrifício, determinação e resiliência tornam minha presença aqui hoje ainda possível", disse. A senadora afirmou que estava "pronta para trabalhar".

Kamala também pediu aos americanos que "votem como nunca antes, porque precisamos de mais que uma vitória no dia 3 de novembro".

Em meio à pandemia do novo coronavírus, muitos estados adotarão o voto por correspondência, e democratas temem que um baixo comparecimento comprometa o desempenho da chapa.

"Precisamos [ganhar] um mandato que prove que os últimos anos não representam quem nós somos nem quem aspiramos ser."

A senadora se lançou pré-candidata à Presidência no fim de janeiro de 2019 e participou de cinco debates antes de se retirar da disputa, em dezembro. Em março deste ano, ela endossou a candidatura de Biden.

O evento ocorre poucos dias antes de o ex-vice aceitar formalmente a indicação de candidato à Presidência na convenção do Partido Democrata, agendada para a próxima semana. Grande parte do evento será virtual devido à pandemia do coronavírus.

Doações de Trump

Antes de Kamala ganhar projeção nacional como senadora, o presidente Trump e sua filha Ivanka apoiaram a candidatura da democrata em duas eleições da procuradoria-geral da Califórnia, segundo a Bloomberg.

Em 26 de setembro de 2011, Trump doou US$ 5 mil (R$ 27.180, no câmbio atual). Dois anos depois, em 20 de fevereiro de 2013, desembolsou mais US$ 1 mil (R$ 5.436) para a campanha de reeleição, e Ivanka, US$ 2.000 (R$ 10.870), segundo registros eleitorais.​

Um porta-voz de Kamala afirmou ao jornal Sacramento Bee que ela doou os US$ 6.000 de Trump a uma ONG que defende direitos de centro-americanos em 2015, quando lançava sua campanha ao Senado.

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