Bolsonaro diz que visita de secretário de Estado mostra alinhamento com os EUA por 'bem comum'

Presidente se manifesta em redes sociais após Maia chamar de 'afronta' presença de Mike Pompeo em Roraima

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu na madrugada deste domingo (20) a visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, a Roraima, na reta final da eleição americana.

Nas redes sociais, Bolsonaro escreveu que a visita representa o quanto Brasil e Estados Unidos "estão alinhados na busca do bem comum".

O presidente Jair Bolsonaro discursa durante a cerimônia de posse do ministro Eduardo Pazuello (Saúde)
O presidente Jair Bolsonaro discursa durante a cerimônia de posse do ministro Eduardo Pazuello (Saúde) - Lúcio Tavora - 16.set.2020/Xinhua

"Parabenizo o presidente Donald Trump pela determinação de seguir trabalhando, junto com o Brasil e outros países, para restaurar a democracia na Venezuela", completou.

Na sexta-feira (18), Pompeo desembarcou em Roraima para uma visita de um dia ao Brasil. Acompanhado pelo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, ele conheceu as instalações da Operação Acolhida e se reuniu com familiares de venezuelanos que migraram para o Brasil.

“Nossa missão é garantir que a Venezuela tenha uma democracia”, disse Pompeo.

O ditador venezuelano é um dos principais focos de ataque da campanha do republicano, que defende e aplica sanções contra o regime.

A visita provocou a reação de políticos brasileiros. Ainda na sexta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que se tratava de uma "afronta às tradições de autonomia e altivez" da política externa brasileira.

Maia também lembrou que os Estados Unidos estão em período eleitoral e que Trump busca a reeleição.

“A visita do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”, diz Maia na nota.

O presidente da Câmara dos Deputados também afirmou que seria necessário manter um convívio pacífico com os países vizinhos.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de suas redes sociais, também expressou indignação com a visita de Pompeo.

"Foi um desrespeito frontal à soberania do Brasil a atitude do ministro das Relações Exteriores, ao dar palco a descabidas declarações belicistas sobre a Venezuela feitas em Roraima pelo secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo", escreveu Lula.

O ex-presidente também expressou apoio a Maia, por sua manifestação contrária à visita.

"O povo brasileiro não quer uma guerra norte-americana por petróleo na América do Sul, ainda mais a partir do nosso território. Queremos paz e cooperação com nossos vizinhos. A era do porrete acabou", afirmou, em referência à política do ex-presidente americano Theodore Roosevelt (1858-1919), contrário à ingerência de europeus em assuntos do continente americano. A estratégia proibia ações na região que não partissem dos Estados Unidos.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) também usou suas redes sociais para afirmar que a "interferência dos EUA no Brasil ultrapassou todos os limites".

"A presença de Mike Pompeo afrontando a Venezuela em território nacional é inconstitucional. Nosso país não pode virar um pária internacional pelo servilismo a nações externas", escreveu.​

O primeiro membro do governo a sair em defesa da visita foi o próprio ministro das Relações Exteriores. Ernesto disse que a manifestação de Maia "baseia-se em informações insuficientes e em interpretações equivocadas".​

O chanceler também disse que sentia "orgulho" em trabalhar com os Estados Unidos.

"O povo brasileiro preza pela sua própria segurança, e a persistência na Venezuela de um regime aliado ao narcotráfico, terrorismo e crime organizado ameaça permanentemente essa segurança. O povo brasileiro tem apego profundo pela democracia, e o regime Maduro trabalha permanentemente para solapar a democracia em toda a América do Sul", afirmou em nota divulgada pelo ministério.

O chanceler afirmou que Brasil e Estados Unidos estão na "vanguarda da solidariedade ao povo venezuelano, oprimido pela ditadura Maduro".

"Muito me orgulho de estar contribuindo, juntamente com o secretário de Estado, Mike Pompeo, sob a liderança dos presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, para construir uma parceria profícua e profunda entre Brasil e Estados Unidos, as duas maiores democracias das Américas. Só quem teme essa parceria é quem teme a democracia", completou.

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