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Mexicanas sofrem cirurgias sem consentimento em centro migratório nos EUA

Procedimentos incluem esterilização forçada, diz chancelaria do país latino-americano

Cidade do México | AFP

Ao menos duas mexicanas foram submetidas a cirurgias sem consentimento em um centro de detenção de imigrantes na Geórgia, informou o Ministério das Relações Exteriores mexicano neste sábado (10).

Autoridades do consulado mexicano em Atlanta identificaram os dois casos após tomarem medidas contra denúncias de supostas irregularidades, incluindo esterilizações, na sede da ICE, a Agência de Imigração e Alfândega, no condado de Irwin, na Geórgia.

Segundo o comunicado da chancelaria, uma das cirurgias não foi histerectomia, a retirada parcial ou total do útero —o órgão não informou qual procedimento foi realizado.

A representação consular também apura o caso de outra mulher, do mesmo centro e que já foi repatriada.

Ela teria sido submetida a uma "cirurgia ginecológica sem seu consentimento total, sem ter recebido uma explicação em espanhol do diagnóstico médico ou da natureza dos procedimentos médicos que seriam realizados”, diz o documento do ministério.

Mulheres imigrantes ilegais dividem uma cela, em um centro de detenção na cidade de Eloy, no Arizona
Mulheres imigrantes ilegais dividem uma cela, em um centro de detenção na cidade de Eloy, no Arizona - John Moore - 30.jul.2020/AFP

O governo mexicano informou no final de setembro que ​i​nvestiga​va se seis ​mulheres haviam sido esterilizad​as sem sua aprovação no condado de Irwin. Quando as denúncias vieram a público, a congressista democrata Pramila Jayapal exigiu a investigação dos eventos.

A presidente da Câmara dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, reforçou os pedidos. "Se isso for verdade, as terríveis condições descritas na queixa da denunciante, incluindo alegações de que migrantes vulneráveis foram submetidas a histerectomias, constituem um abuso avassalador dos direitos humanos", afirmou.

A organização Project South, com sede em Atlanta, já havia denunciado em setembro que pelo menos 17 mulheres passaram por procedimentos forçados de esterilização na Geórgia.

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