Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Trump se recusa a aceitar derrota, mas vitória ampla de Biden reduz opções do republicano

Biden venceu em vários estados e já foi reconhecido por líderes estrangeiros

São Paulo

Após o anúncio da vítória de Joe Biden, Donald Trump se recusa a aceitar a derrota.

Projeções da imprensa americana mostram que o democrata já tem votos suficientes no Colégio Eleitoral para ser eleito presidente, o que tornaria impossível uma reviravolta republicana. Mas a campanha do republicano insiste que houve fraude no pleito e quer resolver a questão na Justiça.

Na Virgínia, o presidente Donald Trump joga golfe no momento do anúncio da vitória de Biden
Na Virgínia, o presidente Donald Trump joga golfe no momento do anúncio da vitória de Biden - Joshua Roberts/Reuters

Enquanto os democratas celebravam o anúncio, o presidente jogava golfe em um campo na Virgínia. Em um comunicado, escreveu: "Esta eleição está longe de terminar".

Pouco após a vitória ser declarada, Rudy Giuliani e outros advogados de Trump vieram a público dizer que o presidente não assumiria a derrota e questionaram a validade de mais de 600 mil cédulas de votação na Pensilvânia, estado que chancelou a vitória democrata.

Segundo a equipe de Trump, os votos em xeque não foram inspecionados por observadores do Partido Republicano. Giuliani disse que os casos suspeitos são de cédulas que vieram pelo correio, ecoando a narrativa de Trump, sem evidências, segundo a qual os votos enviados pelo sistema postal são "ilegais" e fazem parte de um golpe do Partido Democrata.

"Temos muitas testemunhas. Não são casos pequenos", disse Giuliani, acrescentando que recebeu denúncias também de outros estados, como Geórgia e Michigan. Segundo o advogado, o Partido Republicano deve continuar a enxurrada de questionamentos na Justiça na segunda-feira (9).

O atual presidente já vinha ensaiando a estratégia há semanas, sugerindo que Biden só venceria se roubasse. Trump disse e repetiu que o voto por correio, utilizado mais por democratas do que por republicanos, era irregular e pouco confiável. “Isso é uma fraude enorme. É uma vergonha para o nosso país. Francamente, nós ganhamos esta eleição”, declarou na quarta, na Casa Branca.

Especialistas têm afirmado há meses que o voto por correio tem índices baixíssimos de irregularidade. Mesmo antes da pandemia da Covid-19, aliás, americanos já votavam a distância.

Apesar das ações jurídicas, uma reviravolta é considerada pouco provável. Biden caminha para uma vitória ampla, com a conquista de vários estados-chave na disputa.

Segundo projeção da agência de notícias Associated Press, Biden já tem 290 votos no Colégio Eleitoral, e pode atingir 306 se tiver a vitória confirmada na Geórgia, onde lidera. Trump tem 214 e está à frente na Carolina do Norte (15 votos no Colégio) e Alasca (3 votos). Com isso, chegaria no máximo a 232.

Assim, o republicano teria de conseguir reverter o resultado de diversas apurações. E a demora em alguns estados para confirmar os números são também um sinal de que a contagem está sendo feita de forma cuidadosa, de modo a evitar questionamentos futuros.

Em 2000, quando a eleição acabou na Justiça, o resultado dependia dos votos no estado da Flórida.

Em outro sinal das dificuldades para Trump, diversos líderes mundiais já reconheceram a vitória de Biden, como Boris Johnson (Reino Unido), Angela Merkel (Alemanha) e Justin Trudeau (Canadá).

A recusa de Trump em assumir a derrota vai contra a tradição da democracia americana, segundo a qual os candidatos que perdem nas urnas costumam vir a público e dizer que reconhecem a vitória do rival, antes de o novo presidente fazer seu discurso da vitória.

Biden deve discursar após as 20h deste sábado (22h no horário de Brasília) e poderá se declarar vencedor mesmo sem a concessão do rival. Os representantes do Colégio Eleitoral se reúnem em 14 de dezembro para realizar a votação oficial e aclamar oficialmente o novo presidente dos EUA. Assim, Trump teria mais algumas semanas para tentar reverter o resultado. O atual mandato expira ao meio-dia de 20 de janeiro.

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