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Referência no combate à Covid, Nova Zelândia encara problemas de saúde mental no pós-pandemia

Pesquisa mostra que 40% dos entrevistados dizem se sentir deprimidos

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Wellington | Reuters

A Nova Zelândia virou referência no controle da pandemia e permitiu a seus cidadãos a retomada da normalidade ainda em 2019, mas uma pesquisa divulgada pela Universidade Massey, publicada neste mês, mostrou que ainda assim o país não conseguiu escapar dos impactos negativos da crise sanitária.

A nação insular do Pacífico registrou aumento da desigualdade, perda de empregos, especialmente entre minorias étnicas, e uma piora na saúde mental de sua população.

O país de 5 milhões de habitantes impôs bloqueios rígidos e regras de distanciamento social que ajudaram a eliminar virtualmente o vírus, somando cerca de 2.200 casos e 26 mortes. Desde junho do ano passado, por exemplo, foram registrados apenas quatro óbitos.

Grupo pratica tai chi chuan em Wellington, na Nova Zelândia
Grupo pratica tai chi chuan em Wellington, na Nova Zelândia - Zhang Jianyong - 24.abr.21/Xinhua

A pesquisa, que ouviu 1.083 neozelandeses entre 15 de fevereiro e 6 de março, mostrou que 46% disseram que eles próprios ou um membro da família tiveram problemas para dormir devido à pandemia —em junho e julho do ano passado, essa cifra era de 43%. Cerca de 40% continuam a dizer que se sentem deprimidos.

"Como um dos poucos países no mundo que voltaram ao 'normal', esperávamos que a saúde mental melhorasse", disse Jagadish Thaker, professor da Escola de Comunicação, Jornalismo e Marketing da Universidade Massey em Wellington, que publicou o relatório. "Mas nossa pesquisa mostra que uma proporção substancial da população ainda está lutando com questões econômicas e de saúde mental."

Agora, o país passa pelo que os economistas chamam de recuperação "em forma de K", na qual as desigualdades aumentam com os mais ricos e companhias maiores enriquecendo e os trabalhadores e empresas menores empobrecendo. Na Nova Zelândia, o quadro é agravado pelo aumento dos preços dos imóveis e pela escassez de moradias.

Um em cada cinco que participaram da pesquisa disse que eles ou um membro da família perderam a renda de um emprego ou negócio, enquanto quase um em nove disse que eles ou um membro da família perderam o emprego ou pediram seguro-desemprego. A pesquisa ainda mostrou que as minorias étnicas mais pobres foram afetadas de forma desproporcional, com grupos de pessoas asiáticas, Māori e Pasifika tendo duas a três vezes mais probabilidade de perder o emprego.

"Esses resultados sugerem que o governo [da primeira-ministra Jacinda Ardern] deve aumentar as políticas de apoio aos indivíduos e comunidades mais afetados pela Covid-19", disse Thaker. As descobertas não só destacam o impacto duradouro da pandemia na vida das pessoas, mas levantam preocupações sobre outras nações que sofrem uma crise mais severa.

A Nova Zelândia entregará seu orçamento anual em 20 de maio, que deve se concentrar no combate à Covid-19 e seu impacto na população e na economia.

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