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Paula Bellizia e Gianpaolo Smanio: Público e privado juntos no combate ao crime

O Ministério Público de São Paulo e a Microsoft assinaram acordo inédito no Brasil para combater os crimes cibernéticos

Paula Bellizia Gianpaolo Smanio

Estados no mundo inteiro convivem hoje com o desafio de proteger seus cidadãos de ameaças virtuais que a cada dia se tornam mais sofisticadas. Para a indústria de tecnologia, é uma missão constante criar sistemas capazes de manter pessoas e organizações a salvo dos criminosos cibernéticos.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, o crime cibernético custa a pessoas, empresas e governos US$ 445 bilhões por ano em todo o mundo. Um recente exemplo do potencial impacto dessa atividade foi o ataque WannaCry, que em maio de 2017 prejudicou 300 mil computadores em 150 países.

Entendemos que o universo digital atual exige uma nova abordagem de como se proteger, detectar e responder a ameaças. Uma abordagem que passa pela ação colaborativa de empresas e o setor público para enfrentar um inimigo comum e, muitas vezes, invisível.

Por isso, o Ministério Público de São Paulo e a Microsoft assinaram recentemente um termo de cooperação que estabelece uma parceria entre dois grupos de profissionais que reúnem as melhores credenciais em suas áreas —o Núcleo de Combate ao Crime Cibernético do Ministério Público e a Unidade de Crimes Digitais da Microsoft trabalharão juntos.

Com o acordo, os promotores de Justiça participarão de treinamento com especialistas a fim de utilizarem ferramentas que possam contribuir em processos de investigação. Computação em nuvem e Big Data, para ficar em dois exemplos mais conhecidos pelo grande público, estão entre essas tecnologias.

A Microsoft investe, com o propósito de proteger a privacidade dos dados de seus clientes, mais de US$ 1 bilhão por ano na pesquisa e no desenvolvimento de técnicas voltadas para a segurança cibernética. 

Por meio de uma base de 1 bilhão de dispositivos Windows atualizados mensalmente, a empresa pode identificar tendências de ameaças virtuais que atacam nossos produtos e, a partir disso, produzir relatórios estatísticos. 

Os 50 profissionais do centro de defesa operacional da Microsoft compartilham informações sobre ameaças virtuais em tempo real e estão conectados a mais de 3.500 profissionais de segurança da empresa em todo o mundo.

Esse conhecimento, que é estendido a parceiros públicos e privados, será agora oferecido ao Ministério Público de São Paulo, o maior e mais importante do país. Promotores do estado passam a contar com relatórios sobre tendências de novos malwares e vulnerabilidades registrados pelo time global da empresa. 

O objetivo é que o Ministério Público usufrua esse intercâmbio para aplicar novas técnicas também em outras investigações que tenham interface com a internet, como as relacionadas aos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

A experiência dos promotores de Justiça indica que, cada vez mais, o meio digital é utilizado pelas organizações criminosas na lavagem de dinheiro, transferindo recursos obtidos por intermédio de ilícitos para longe do alcance das autoridades. Em um só dia, o dinheiro pode dar, como costumamos dizer, quatro voltas ao mundo.

O crime cibernético deixou de ser uma brincadeira de garotos amadores e se tornou uma atividade ilegal praticada por bandidos organizados. 

Por isso, o Ministério Público de São Paulo busca incessantemente se aparelhar para dar as respostas que a sociedade espera nessa frente. A Microsoft, que tem na confiança um compromisso fundamental com seus consumidores, apoia a instituição nessa tarefa, num acordo inédito no Brasil. 
 

PAULA BELLIZIA é presidente da Microsoft Brasil. Foi diretora de vendas para pequenas e médias empresas para América Latina do Facebook e presidente da Apple no Brasil GIANPAOLO SMANIO, doutor em direito das relações sociais pela Pontifícia Universidade Católica de  São Paulo (PUC-SP), é procurador-geral de Justiça licenciado do Estado de São Paulo

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