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Mônica S. Gouvêa

Notícias de Brumadinho

Troca de correspondências traz alento a estudantes

Ato em memória às vítimas da tragédia de Brumadinho
Ato em memória às vítimas da tragédia de Brumadinho (MG) - 25.fev.19/Folhapress
Mônica S. Gouvêa

Passados cem dias do rompimento da barragem da mina de Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG), a profunda melancolia pelas perdas de parentes e amigos ainda contamina a todos, incluindo os que lá chegam.
 
Coordenar a gestão da ajuda espontânea e as outras necessidades prementes à reestruturação da cidade vem sendo um grande desafio para o poder público.

A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de Minas Gerais e a Secretaria de Desenvolvimento Social de Brumadinho assumiram as atividades sociais desenvolvidas: acolhem famílias dos bairros mais atingidos, direcionam voluntários e ONGs vindos do mundo todo para ajudar, acondicionam e distribuem doações de roupas e alimentos, que muitas vezes chegam com a validade vencida, e orientam a população. 

Foi criado um plano de ação em três etapas para dar suporte aos habitantes: 1. O cadastramento por indivíduo, em formulários eletrônicos, de todos os moradores impactados, para diagnosticar suas necessidades reais; 2. A criação de um comitê intersetorial e socioassistencial para contratar novos servidores e reger as equipes no fortalecimento do trabalho social do município; 3. A concretização de parcerias com institutos e fundações voltados para a primeira infância, com a premissa de desenvolver a cidade pelas crianças, e com a iniciativa privada, a fim de reorganizar a matriz econômica de Brumadinho e da região para os próximos 20 anos.

É um trabalho grande, que envolve as dimensões social, assistencial, econômica, financeira e de saúde.
Nesse contexto conturbado, iniciativas de apoio a crianças, jovens e adultos organizadas por ONGs e empresas têm trazido alento para alguns. Dentre elas está a do jornal Joca, publicação quinzenal para crianças e adolescentes.

Desde a primeira matéria do Joca, sobre o rompimento da barragem, nossos leitores foram convidados a enviar mensagens de apoio aos estudantes das escolas do município por intermédio do jornal. Surpreendentemente, a redação recebeu 2.200 cartas! Elas foram enviadas para as escolas de Brumadinho com os selos para que os alunos da cidade pudessem responder e enviar suas cartas aos remetentes, estudantes de outras regiões do Brasil.

Esse movimento gerou um intercâmbio intenso e gratificante para as duas partes, do ponto de vista emocional —um exercício de solidariedade e acolhimento—, e também pedagógico ─do aprendizado de escrita de cartas. Os alunos de Brumadinho tiveram a oportunidade de relatar a tristeza de perder um irmão, um amigo e seus conhecidos. Puderam contar como estavam se sentindo e o que estão fazendo para superar o desconsolo.

Professores, alunos, moradores da cidade e profissionais do setor público conversaram com a equipe do jornal, que esteve na cidade entre os dias 1º e 3 de maio, colhendo informações para um encarte especial que irá relatar toda a ação e sua repercussão como um modelo para o enfrentamento de situações limite.
Muitas escolas foram além e desenvolveram outras atividades, principalmente para trabalhar competências socioemocionais, mais um indicador do resultado significativo da ação.

Mônica S. Gouvêa

Socióloga e psicóloga, mestra em educação (Unicamp), diretora educacional da Magia de Ler - Jornal Joca e consultora para a educação básica

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