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Novela rodoviária

Sucessão de atrasos e suspeitas no Rodoanel Norte mancha gestão tucana em SP

Trecho inconcluso do Rodoanel Norte, próximo ao Jardim Damasceno, em São Paulo - Danilo Verpa - 29.mai.19/Folhapress

Parece não ter fim a acidentada construção do Rodoanel Norte, parte final da obra concebida para propiciar a interligação entre rodovias e aliviar São Paulo do intenso tráfego de caminhões.

Os anos passam, as previsões de conclusão se alongam e as despesas explodem, numa daquelas típicas e deploráveis demonstrações de incompetência do poder público em zelar pelos prazos anunciados e pelo dinheiro do contribuinte.

Reportagem desta Folha dá conta de que o governo paulista estima entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão o custo adicional para encerrar a novela rodoviária, que foi orçada em R$ 4,3 bilhões há seis anos e já consumiu R$ 6,85 bilhões.

Na hipótese do valor mais alto, o empreendimento sairá 83% mais caro que o previsto de início. Com desapropriações de casas e terrenos, não surpreenderá se a quantia final exceder os R$ 10 bilhões.

É sem dúvida complexa a realização do trecho, de 44 km de extensão, especialmente por atravessar uma área de mata atlântica, o que exige a construção de viadutos de até 20 m de altura. Algum imprevisto poderia ser aceitável em empreitada de tal magnitude.

O que se presencia, porém, é uma sucessão de episódios que contradizem a autopropaganda do PSDB paulista sobre sua eficiência na gestão de recursos públicos.

Como se sabe, Paulo Vieira Souza, ex-diretor da Dersa (empresa de obras viárias do estado), foi condenado por ilícitos em obras do trecho sul do Rodoanel.

Quanto ao setor norte, investigações da Lava Jato apontaram desvios de R$ 625 milhões, rechaçados pelas empreiteiras. Ex-secretário de Logística e Transportes do governo Geraldo Alckmin, Laurence Casagrande chegou a ser detido por cerca de três meses em decorrência de suspeitas de corrupção e tornou-se réu na Justiça Federal.

No quesito administrativo, chama a atenção que o governo João Doria não tenha conseguido fornecer à reportagem informações precisas sobre o estágio das obras, que foram suspensas em razão de possíveis irregularidades.

Agora, a Secretaria de Logística e Transportes contratou o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) com o objetivo de identificar a parcela já concluída. O governo dividirá a nova licitação por três trechos.

Diante de tantas idas e vindas, é difícil acreditar em datas definitivas para a conclusão. Perdem os contribuintes, mais uma vez lesados pela incúria de governantes, bem como a cidade e a economia paulista, que terão de esperar pelos benefícios a esta altura extremamente custosos do Rodoanel.

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