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Rodrigo Sauaia e Ronaldo Koloszuk

Energia solar: quem tem ajuda quem não tem

Papel estratégico e fundamental para o desenvolvimento do país

Rodrigo Sauaia Ronaldo Koloszuk

As recentes manifestações públicas do presidente Jair Bolsonaro em favor da energia solar, apoiadas pelas principais lideranças políticas do país, incluindo os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), estão diretamente alinhadas com o anseio de 93% da população brasileira, que deseja gerar em casa a eletricidade barata, limpa e renovável de que precisa (fonte: Ibope Inteligência, 2019).

Fica, portanto, cada vez mais evidente o papel estratégico da energia solar para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Brasil. E não é para menos: quando se incorpora corretamente na análise os benefícios proporcionados pela tecnologia fotovoltaica, seus ganhos para os consumidores e a sociedade brasileira tornam-se palpáveis até mesmo para quem não acompanha a fundo o tema.

Placa de energia solar da Sun Mobi, startup de energia que possibilita consumidores de qualquer porte terem acesso à energia solar sem a implantação de placas fotovoltaicas em seus telhados - Eduardo Anizelli - 5.dez.2019/Folhapress

Estima-se que, para cada R$ 1 investido em sistemas fotovoltaicos de pequeno e médio portes em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos, o setor devolve mais de R$ 3 em ganhos elétricos, econômicos, sociais e ambientais aos brasileiros.

O cálculo foi feito pela Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) a partir dos dados de investimentos realizados na área desde 2012, levando em consideração os incrementos de arrecadação dos governos federal, estaduais e municipais decorrentes desses aportes e a geração de novos empregos e renda no país com os negócios e projetos desenvolvidos no período, entre outros. Tais atributos, no entanto, foram deixados de fora das contas feitas tanto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto pelo Ministério da Economia.

Desde 2012, os consumidores brasileiros já investiram mais de R$ 10 bilhões em sistemas de energia solar na geração distribuída, acrescentando ao Brasil uma potência de mais de 1,9 gigawatt (GW), espalhada por mais de 70% dos municípios. Só em 2019, o segmento criou uma média de 92 postos de trabalho por dia no país. No acumulado, já são aproximadamente 100 mil trabalhadores solares.

A geração distribuída solar fotovoltaica ajuda a aliviar a operação da matriz elétrica brasileira, com economia da preciosa água dos reservatórios das hidrelétricas e com redução do uso de termelétricas, caras e poluentes. Como resultado, diminui os gastos mesmo daqueles que nunca investiram nessa tecnologia, em um claro exemplo de ganha-ganha. Assim, ficam as indagações: por que órgãos oficiais apresentam uma conta incompleta? A quem isso interessa?

O próprio módulo fotovoltaico (ou painel solar) é quase tão reciclável quanto uma latinha de alumínio. Segundo a PV Cycle, entidade independente responsável pela reciclagem de equipamentos fotovoltaicos, até 96% do módulo pode ser recuperado e reaproveitado em novas atividades produtivas. Adicionalmente, graças ao privilegiado recurso solar do Brasil, um módulo fotovoltaico instalado aqui produzirá 17 vezes mais energia durante sua operação do que aquela usada na sua fabricação.

Infelizmente, parte do atual debate ficou prejudicado por um alarmismo desproporcional, que tomou a forma de números e análises estatísticas incompletas e parciais. Quando se parte de premissas incompletas, o diagnóstico e as conclusões também serão precários, prejudicando a construção de uma resolução adequada e justa.

A Absolar projeta que a geração distribuída solar fotovoltaica poderá acrescentar mais de R$ 13,3 bilhões em benefícios líquidos, já descontados todos os custos, para os consumidores do setor elétrico até 2035.

​É chegada a hora, portanto, de o Brasil fazer as contas completas e construir um marco legal transparente, estável, previsível e justo, que desfaça a insegurança jurídica que paira sobre o mercado solar fotovoltaico e que reforce a confiança da sociedade em um futuro com mais liberdade, prosperidade e sustentabilidade.

Rodrigo Sauaia

Presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar)

Ronaldo Koloszuk

Presidente do Conselho de Administração da Absolar

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