Secretário é indiciado sob acusação de ataque a jornalista na Grande SP

Caso ocorreu em dezembro em Embu das Artes; autor confessa participação, mas nega tiros

William Cardoso
São Paulo

O subsecretário de Tecnologia e Comunicação de Embu das Artes (município na Grande São Paulo), Renato Oliveira, foi indiciado sob acusação de lesão corporal grave em atentado contra o jornalista Gabriel Barbosa da Silva, 32, em 28 de dezembro. Segundo a Polícia Civil, ele confessou o crime, cometido ao lado de um amigo, o agente penitenciário Lennon Roque.

Binho, como é conhecido o jornalista, procurou a polícia relatando que, por volta das 2h, seguia de moto pela rodovia Régis Bittencourt quando foi atingido por um carro, no acesso ao km 279.

O jornalista Gabriel Barbosa da Silva, o Binho, do site Verbo Online, que foi atacado em Embu das Artes - Rubens Cavallari/Folhapress

O veículo teria retornado e um atirador, então, disparado três vezes contra a vítima que se protegeu, mas acabou fraturando o tornozelo.

Horas depois, o jornalista recebeu uma mensagem no Facebook, dizendo que os próximos tiros seriam "no meio da cara dele para aprender a parar de ser falador".

Binho trabalha no site "Verbo Online", que tem postura crítica em relação ao prefeito Ney Santos (PRB), para quem trabalha Oliveira.

Nas investigações, com a análise de imagens de câmeras de segurança, a polícia descobriu que um Hyundai i30 usado no crime ficou à espreita de Binho.

A suspeita era de que um guarda civil tivesse participado do ataque. Na última sexta (16), porém, o subsecretário e o amigo prestaram depoimento, confessaram —Oliveira negou, porém, que tenha havido disparos de arma de fogo contra Binho—​ e foram indiciados. Eles responderão em liberdade.

A gestão Ney Santos é envolta em polêmica. O prefeito é investigado pela Promotoria por participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico.

Ele só assumiu após obter liminar no STF (Supremo Tribunal Federal), depois de ficar 42 dias foragido. De 2003 a 2005, Santos ficou preso por roubo. Também foi acusado de usar postos de gasolina para lavar dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Outro lado

Renato Oliveira disse neste domingo (18) que procurou Gabriel Barbosa da Silva para conversar sobre um "assunto pessoal, motivado por questões familiares".

Oliveira afirma que, de fato, aguardou o jornalista se afastar de uma praça próxima da rodovia para abordá-lo porque não queria criar confusão no local, mas que em momento algum houve tiros.

"Quando baixamos o vidro, falei: 'Binho, vamos conversar, encosta aí que quero conversar com você'", diz. Segundo Oliveira, o jornalista talvez não tenha percebido que se tratava dele, se desequilibrou e caiu. "Eu me arrependo por ele ter se machucado e por tudo isso criar uma imagem daquilo que eu não sou."

O jornalista reafirma que foi alvo de tiros, diz que Oliveira está sendo orientado em sua versão e que, se quisesse dialogar, teria feito isso na praça.

A prefeitura informou que espera ter acesso ao inquérito para se manifestar. Ney Santos (PRB) não tem se pronunciado sobre as acusações. Lenon Roque não foi localizado.

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